(Escrevi ouvindo Iluminado - Vander Lee)
Seja por algo ou, principalmente, por alguém o fascínio do novo quase sempre vem acompanhado por uma pontinha de medo. Aquele medo compreensível causado pelas tantas vezes em que o coração pediu pra se jogar, mas que logo após as aventuras dos voos livres vieram as quedas, no mínimo, frustrantes. E depois de tantos sinais distorcidos, histórias mal escritas e promessas vazias, o que resta é vestir o traje da indiferença, como se todos os dias fossem domingos.
Mas, como diria Vinícius, “de repente, não mais que de repente” a vida traz um presente que resgata todos os sentidos daquele estado de inércia. E confunde, encanta, desperta borboletas (aquelas que vivem no estômago, sabe?). De repente os pensamentos levam a pessoa frequentemente para onde ela gostaria de estar. O coração sorri de tal maneira que todo o corpo sorri também. As palavras, mesmo impetuosas e cheias de vontade de serem ditas e entendidas, ficam bobas, clichês, mas igualmente cheias de verdade. De repente, fechar os olhos ganha um significado a mais.
Então o impulso de se jogar novamente arrebata a alma. E assim como não se recusa um delicioso banho de chuva por causa do medo do resfriado no dia seguinte, não se deixa de aproveitar todas as sensações do voo livre por causa do medo da queda. O coração frio dá espaço à sua verdadeira face romântica. E como diz a canção “românticos […] conhecem o gosto raro de amar sem medo de outra desilusão”. É até cansativo ter tantos “medos” em um texto só, por mais pequeno que seja… Imagina por uma vida inteira!
Nem sei como terminar isso… Deve ser porque já me cansei de finais. Agora quero um começo sem ter que pensar no fim.
Para Diogo.
16 de dezembro de 2012
Para Diogo.
16 de dezembro de 2012
