domingo, 30 de junho de 2024

Um transtorno pra chamar de meu


Você me gera sintomas delirantes a todo instante. São cenas que se repetem e melhoram a cada novo detalhe seu que percebo, mesmo com toda essa barreira que te impede de se mostrar inteiramente. Já nem sei mais o que fazer com o transtorno que essa sensação de querer estar contigo o tempo todo tem causado. É tanta energia gasta em desejos provavelmente impossíveis que chego a ficar exausta. Os pequenos desastres do dia a dia denunciam os lapsos de uma memória que só quer se lembrar das raras vezes em que, por descuido, houve um lampejo de reciprocidade. Sofro pelo déficit da sua atenção sempre que demora demais em trazer suas considerações sobre qualquer coisa. 

Qual é o nome desse superpoder que fazem os ponteiros do relógio passaram cada vez mais devagar quando tu tá longe?! Já não era o suficiente ter esses ingredientes deliciosos e irresistíveis, seu humor e seus atos de palhaçadinhas, que você sabe usar como ninguém?! Pra que fazer esse jogo sujo de mostrar seu sorriso fácil, às vezes inocente, por vezes malicioso, mas sempre lindo e tão gostoso? Eu quero me especializar em te arrancar risadas. Quero seu sorriso pra mim, em mim. Quero me especializar em te arrancar suspiros e provocar arrepios. 

Eu nem sei mais o que pensar. Aliás, eu nem consigo mais pensar. Como pode um ser desorientar toda a direção de um caminho desenhado tão certinho por uma racionalidade supostamente segura de si? A paixão certamente inventou a loucura e eu não sei porque que eu fui inventar de enlouquecer! Como seria perigosamente interessante viver momentos de insanidade do seu lado, em algum canto escondido que só a gente precisa saber. Nem sei se quero a receita pra me curar de você. Sinto urgência por um pouco de delírio em meio tanta realidade. 

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Reticências


Você ainda não está preparado para viver novos amores. Talvez nunca esteja. Talvez resuma o restante da sua vida à lembrança de um amor que se foi, mas que permanece mais presente que sua própria sombra. Talvez não esteja preparado para viver, na realidade. Ou pode ser que eu esteja apenas exigindo demais de você, que é só outra alma perdida vagando nesse universo e provavelmente tão confusa quanto eu. Esperar que esteja tão bem, seguro e confiante é tão incoerente e hipócrita da minha parte. Nem eu estou segura e confiante das decisões - importantes decisões - que tenho tomado. Aliás, tenho errado em uma quantidade exagerada. 

A última coisa que eu deveria estar pensando agora é sobre como você se sente em relação a tudo que nos envolve. Porque seu pensamento, seu corpo, sua energia vital é da história bonita que viveu. O mais digno seria apenas que eu me desculpasse por tentar invadir esse espaço ainda tão imaculado no seu altar. Eu nem deveria estar preocupada com melhor resposta pra te dar porque era minha obrigação evitar essa aproximação que hoje tem um potencial enorme de ferir tantas pessoas que não merecem ser feridas, inclusive eu mesma. Então, eu não tenho o direito de esperar que você, depois de tudo, esteja completamente seguro e confiante, porque sou um emaranhado de inconstâncias. 

O seu medo de se deixar levar deve ser proporcionalmente grande e assustador como o meu. Nenhum de nós está completamente livre. Um passo em falso e tantas partes de nós e outros além de nós podem ser quebradas. Quem sou eu pra julgar as suas hesitações se eu mesma não consigo sair da minha gaiola quando a porta está aberta. Somos dois seres imobilizados por amarras invisíveis. Sou tão ou mais covarde que você. Afinal, você sabe que quer se manter guardado. Já eu... Eu quero ir e me manter aqui.