Toda essa falta de tempo desses tempos tumultuados e apressados é sufocante. Ou seria asfixia pelo excesso? Excesso de tempo também paralisa. Paralisa porque cada tempo de sobra sem você é tempo de sobra demais pra dar conta de contar. Descrever o cotidiano e os ares quando você não está é como narrar fragmentos de um delírio que nem é meu. Sua sombra se distanciando de mim é diretamente proporcional ao som da minha agonia que se amplifica. Ressoa aqui dentro uma urgência ensurdecedora de adiantar o relógio até o instante do fim do caos em que você vai tá lá inteiro, alcançável. Ainda é uma tarefa um pouco complexa conceber a ideia de ter que te deixar ir. Eu acho a coisa mais linda você voando por aí, mas não me acostumei em correr com tudo por aqui enquanto espero seu retornar.
domingo, 12 de junho de 2022
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022
Como uma onda no mar
O mar daqui transborda sob a areia, apagando as pegadas impressas no solo das ideias, idealizações e previsões ingênuas da uma ilha chamada eu.
O eu que sente o sal na boca e o amargor das perdas. O peso da culpa, o medo das pedras, a raiva da alegria.
E nessa deriva, que o mar transpasse o eu e o transcenda em onda e som. Som que faz gritar o silêncio e sussurra o real em cantos angelicais entre os traumatismos existenciais.
Que o eu adentre o profundo das águas e ali repouse, calmo, sólido, só.
Que o mar acolha e o eu se entregue.
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