segunda-feira, 1 de julho de 2024

Autoexplicativo


Saudade da solidão. 

A solidão de uma pequena lágrima no coração, não muito cheia, nem muito longa. Aquela que faz a gente divagar nos becos escuros da alma e escrever os exageros das emoções de um ser largado às letras. 

E quem não gosta de se embriagar em um copo cheio de lamentos? Ouvir um jazz bem triste ou uma bossa num cantinho e, quem sabe, um violão?

domingo, 30 de junho de 2024

Um transtorno pra chamar de meu


Você me gera sintomas delirantes a todo instante. São cenas que se repetem e melhoram a cada novo detalhe seu que percebo, mesmo com toda essa barreira que te impede de se mostrar inteiramente. Já nem sei mais o que fazer com o transtorno que essa sensação de querer estar contigo o tempo todo tem causado. É tanta energia gasta em desejos provavelmente impossíveis que chego a ficar exausta. Os pequenos desastres do dia a dia denunciam os lapsos de uma memória que só quer se lembrar das raras vezes em que, por descuido, houve um lampejo de reciprocidade. Sofro pelo déficit da sua atenção sempre que demora demais em trazer suas considerações sobre qualquer coisa. 

Qual é o nome desse superpoder que fazem os ponteiros do relógio passaram cada vez mais devagar quando tu tá longe?! Já não era o suficiente ter esses ingredientes deliciosos e irresistíveis, seu humor e seus atos de palhaçadinhas, que você sabe usar como ninguém?! Pra que fazer esse jogo sujo de mostrar seu sorriso fácil, às vezes inocente, por vezes malicioso, mas sempre lindo e tão gostoso? Eu quero me especializar em te arrancar risadas. Quero seu sorriso pra mim, em mim. Quero me especializar em te arrancar suspiros e provocar arrepios. 

Eu nem sei mais o que pensar. Aliás, eu nem consigo mais pensar. Como pode um ser desorientar toda a direção de um caminho desenhado tão certinho por uma racionalidade supostamente segura de si? A paixão certamente inventou a loucura e eu não sei porque que eu fui inventar de enlouquecer! Como seria perigosamente interessante viver momentos de insanidade do seu lado, em algum canto escondido que só a gente precisa saber. Nem sei se quero a receita pra me curar de você. Sinto urgência por um pouco de delírio em meio tanta realidade. 

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Reticências


Você ainda não está preparado para viver novos amores. Talvez nunca esteja. Talvez resuma o restante da sua vida à lembrança de um amor que se foi, mas que permanece mais presente que sua própria sombra. Talvez não esteja preparado para viver, na realidade. Ou pode ser que eu esteja apenas exigindo demais de você, que é só outra alma perdida vagando nesse universo e provavelmente tão confusa quanto eu. Esperar que esteja tão bem, seguro e confiante é tão incoerente e hipócrita da minha parte. Nem eu estou segura e confiante das decisões - importantes decisões - que tenho tomado. Aliás, tenho errado em uma quantidade exagerada. 

A última coisa que eu deveria estar pensando agora é sobre como você se sente em relação a tudo que nos envolve. Porque seu pensamento, seu corpo, sua energia vital é da história bonita que viveu. O mais digno seria apenas que eu me desculpasse por tentar invadir esse espaço ainda tão imaculado no seu altar. Eu nem deveria estar preocupada com melhor resposta pra te dar porque era minha obrigação evitar essa aproximação que hoje tem um potencial enorme de ferir tantas pessoas que não merecem ser feridas, inclusive eu mesma. Então, eu não tenho o direito de esperar que você, depois de tudo, esteja completamente seguro e confiante, porque sou um emaranhado de inconstâncias. 

O seu medo de se deixar levar deve ser proporcionalmente grande e assustador como o meu. Nenhum de nós está completamente livre. Um passo em falso e tantas partes de nós e outros além de nós podem ser quebradas. Quem sou eu pra julgar as suas hesitações se eu mesma não consigo sair da minha gaiola quando a porta está aberta. Somos dois seres imobilizados por amarras invisíveis. Sou tão ou mais covarde que você. Afinal, você sabe que quer se manter guardado. Já eu... Eu quero ir e me manter aqui. 

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Depois do fim... Começo!

Você tem a sorte de poder dizer que ficou com o amor da sua vida até o fim. O recorte desses anos vividos perdurarão por toda a sua existência, pelo menos por enquanto. Poderia ser que daqui 5 anos vocês se separassem e cada um fosse seguir sua jornada. Nunca saberemos. E esse não saber mantém a sua fantasia de que seria pra sempre. Pode ser que fosse. Mas infelizmente o destino preparou outro desfecho. 

Por hora (dias, semanas e, talvez, anos) vai ser difícil para qualquer pessoa competir com esse romance de cinema. Cuidado apenas, meu bem, pra não deixar que as recordações de um amor se transformem em um fantasma que assombra qualquer possibilidade de ser feliz de novo. Cuida pra não tentar encaixar alguém no padrão inalcançável de quem sempre vai ocupar um lugar idealizado no seu coração. 

No mais, desejo que sua alma cicatrize e que consiga conviver com essa falta que permanecerá presente. Sinta com toda a intensidade que pode, sem nunca esquecer que para uma falta existir é preciso haver espaços cheios de outras coisas. Observe o que há ao redor. Permita-se surpreender!

quarta-feira, 3 de abril de 2024

O Caos e A Intuição


Eu tenho uma pré-disposição para gostar de uma encrenca. O proibido mais gostoso não é só um clichê. Todas as contingências que impossibilitam qualquer aproximação dos nossos corpos parecem temperar ainda mais o desejo reprimido, que começa a querer sair de outras formas. Não é só mera observação do meu signo analítico e, igualmente, intuitivo. A tensão energética que surge quando estamos a poucos metros de distância é real. É um magnetismo vibracional, sexual, espiritual, sei lá. Sei que vai tomando conta de nós e deixando nossos olhares e sorrisos extremamente vulneráveis. 

Tudo isso é mais do que uma sensação corriqueira. A transmissão dos pensamentos estão se transformando na procura de qualquer justificativa boba para ter aquele papinho rápido, como quem não quer nada, querendo tudo. Você também se sente confuso, eu sei. A confusão está se espalhando, se misturando com o medo e a razão. Aquela razão que diz que tudo isso é uma loucura, mas que um pouco de loucura não faz mal a ninguém. Como diria Leminski, "repare bem no que não digo". Nossas entrelinhas já estão bem explícitas. Tão explícitas como tudo que gostaríamos de fazer um com o outro, mas não ousamos deixar o outro saber. 

Nada disso é segredo pra você, né? Continuamos fingindo assim ou vamos nos entregar ao caos? 


quinta-feira, 7 de março de 2024

22:22


Sei que minhas escolhas estão de acordo com uma vida tranquila, dias serenos e desentendimentos na medida típica de uma relação humana. É bom ter a paz na consciência de decisões conscientes, mesmo quando o coração se mantém um pouco resistente. Chega a ser incrível sentir a razão tomando seu lugar no mundo e freando as intempéries emocionais, sempre tão intensas, passageiras e, geralmente, inconsequentes. 

Mas uma coisa a razão não consegue alcançar com tanto êxito: aquele frio que começa na barriga, vai subindo, acelerando o coração e sai, uma parte em forma de sorrisos bobos e fáceis e outra em brilhos no olhar. Isso está fora da base de cálculos da racionalidade. Totalmente fora do controle da previsibilidade. 

Esses sorrisos são tão absolutamente indomáveis. Saem espontaneamente como o respirar, que se torna um suspiro sonhador sempre que ele aparece. Tudo se torna um delicioso e desejável caos interno, gerando até aqueles comportamentos desajeitados de quem sente vergonha quando está perto de quem se gosta. Porém, como bem questionou Freud, será que queremos o que desejamos? 

É bom sentir a adrenalina nas veias depois de tanto tempo de amenidades. A vivacidade do pulsar do coração no corpo e na alma. O sangue irrigando e esquentando cantos adormecidos. Sei que nossos olhos se encontram e, no fundo, ainda que ainda não saibamos ao certo, ambos queríamos que fosse mais que um encontro no olhar. Quem sabem em outro tempo possamos ter outros encontros com direito a dança com as mãos e descobertas de bocas e abraços. Quem sabe em outro tempo. Talvez em outra vida. Quem sabe, talvez...