(Música para flutuar - Todos Enquanto - O Teatro Mágico)
Paro e paradoxalmente tudo passa. Passa por nós. Nós que, quanto mais atados, mais frouxo deixa o coração.
Como um quadro abstrato no canto esquecido de uma exposição sem muitos visitantes, sendo observado por um espectador já sem pretensões de compreender o emaranhado sobreposto na tela, assim me sinto ao sentir você. De repente tudo muda e me torno solista de orquestra repetindo a mesma música, ecoando os sons dissonantes de mim. Então, largo os tons e te tiro pra dançar. O ao redor rodopia enquanto continuamos parados no ritmo do nosso abraço. Estáticos desenlaçamos os braços entrelaçando lentamente os dedos, num breve exercício de inspiração. Inspiração que te faz tecer canções e poesias na página branca que me torno. Em nosso entorno passam todas as estações. Tudo acontece e continuamos inertes, frente a frente e lados e versos. Frio, vento, sol, flores, folhas. Climas, temperaturas, sensações, impressões da sua alma sépia na minha monocromática.
Antes do primeiro piscar o mundo se torna altar, onde eu peço, oro, rezo pra você não se esvair como um sonho de início de manhã. Projetam-se vários lugares, viagens, voos, corridas, vento no rosto, lagos, jardins, fumaças em xícaras de café, épocas, eras, futuros, picos, perigos, abismos. Não importa quantas vidas se passem, tudo vivo, ali, na paralisia de um segundo...
Foto: Cena do Filme "Amour" (2012), dirigido por Michael Haneke. Um filme pesado e cruel, cheio de amor, lágrima, alma, dor, sensibilidade, intenso, desconfortável, necessário...













