domingo, 3 de julho de 2016

O segundo assim que você me olha


(Música para flutuar - Todos Enquanto - O Teatro Mágico)

Paro e paradoxalmente tudo passa. Passa por nós. Nós que, quanto mais atados, mais frouxo deixa o coração.
Como um quadro abstrato no canto esquecido de uma exposição sem muitos visitantes, sendo observado por um espectador já sem pretensões de compreender o emaranhado sobreposto na tela, assim me sinto ao sentir você. De repente tudo muda e me torno solista de orquestra repetindo a mesma música, ecoando os sons dissonantes de mim. Então, largo os tons e te tiro pra dançar. O ao redor rodopia enquanto continuamos parados no ritmo do nosso abraço. Estáticos desenlaçamos os braços entrelaçando lentamente os dedos, num breve exercício de inspiração. Inspiração que te faz tecer canções e poesias na página branca que me torno. Em nosso entorno passam todas as estações. Tudo acontece e continuamos inertes, frente a frente e lados e versos. Frio, vento, sol, flores, folhas. Climas, temperaturas, sensações, impressões da sua alma sépia na minha monocromática.
Antes do primeiro piscar o mundo se torna altar, onde eu peço, oro, rezo pra você não se esvair como um sonho de início de manhã. Projetam-se vários lugares, viagens, voos, corridas, vento no rosto, lagos, jardins, fumaças em xícaras de café, épocas, eras, futuros, picos, perigos, abismos. Não importa quantas vidas se passem, tudo vivo, ali, na paralisia de um segundo...


Foto: Cena do Filme "Amour" (2012), dirigido por Michael Haneke. Um filme pesado e cruel, cheio de amor, lágrima, alma, dor, sensibilidade, intenso, desconfortável, necessário... 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Se eu te chamar, vem?!

Foto: Murad Osmann

(Aquele som maneiro que embalou essa noite: Alma D'jem - Tudo Que Aprendo Com Você)

Um dia a gente percebe que não precisa dos olhos de alguém para ver o por do sol. Não precisa das pernas de alguém para ir onde se quer. Não precisa da boca de alguém para tomar um café. Não precisa da vontade de alguém para ir ao cinema. Não precisa do endereço de alguém para escrever poemas. Não precisa dos braços de alguém para abraçar o mundo.
Um dia a gente percebe que não precisa, que a gente só quer. E querer é bem diferente de precisar. Precisar de alguém é entregar para o outro as folhas e a responsabilidade de escrever nelas a história da vida que só a gente poderia escrever bem. Precisar é estar refém das escolhas que o outro escolher. Precisar é como uma tentativa meio falha de completar com o outro o que só pode ser completado com o que a gente já tem, mas não faz crescer.  
Querer é só querer, sem necessariamente precisar. Querer é quando a gente convida o outro para estar junto sabendo que, mesmo que ele não esteja junto, as flores, o sol, o mar continuam lindos nessa terra. A gente sabe que com o outro fica muito mais bonito... Porque compartilhar momentos é bonito. Querer é convidar o outro para conhecer o ser completo que a gente é com o desejo de se aventurar no ser completo que o outro também é. Querer é chamar para sonhar junto, mas não deixar de sonhar se a pessoa não quiser atender ao chamado. Querer é tipo quando a gente valoriza a companhia e solta um "vem comigo, caminha do meu lado.,. ou me convida pra ir com você que eu vou", mas não fica parado além da conta esperando o outro decidir. Se o outro não aceitar, a gente segue, as vezes torcendo para esse alguém nos alcançar ou esbarrar de novo em algum outro momento. Porém sem esquecer que o importante é o sentimento e sentimento não tem cara, sentimento tem alma. 
E querendo, passo a passo, a gente segue, fazendo crescer amor no interior - amor próprio, que floresce no exterior em forma de sorriso. Amor que leva a possibilidade de momentos felizes para todos os lugares, felicidade que mora dentro e só transborda. E querendo a gente segue porque a vida tá louca para ser vivida e o coração louco para viver!

terça-feira, 14 de junho de 2016

Ainda não sei o nome disso tudo


(Trilha => Tiago Iorc - Dia Especial)

Meu coração é de uma casta que sonha com o fervor de todas as almas que ele já pode ter tido. Se tem vontade intensa de entregar amor acumulado de outras vidas, entrega-se aos corações dessa vida como se não houvesse o depois. Ele leva impresso em suas paredes memórias das mais variadas. E entre flores e dores, ele vive - em caixa alta. Porém mesmo vívido e cheio de fé, ele se sente só, às vezes, desejando se tornar o pico gelado de uma montanha bem alta, inóspita e inacessível. Mas ele é bobo e coração bobo reconsidera os planos quando se depara com sorrisos singelos e únicos.

Não é sempre que se tem a sorte de contemplar sorrisos únicos. Ele teve quando esbarrou no seu. Ele sorriu timidamente no primeiro segundo, no segundo deu risadas sonoras para que todo o meu corpo pudesse ouvir. E ouviu!

Os meus ouvidos ficaram ávidos para conhecer o som que sairia da sua boca. E eles sentiram calma, como quando ouvem música, e adoraram seu jeito de falar, meio carregado do sotaque mais amorzinho que existe. As minhas mãos ficaram desesperadas. Não sabiam o que fazer. Queriam escrever coisas bonitas, mas queriam mais tocar as suas e fazer carinho nos dedos. Porque carinho nos dedos expressaria tudo que elas não conseguiam. Nem preciso te lembrar como elas ficaram quando o dia especial chegou. Suavam de vergonha e nervosismo. Você sabe bem! Acredite, elas estavam com a melhor das intenções.

Fez-se primavera na minha barriga. Primavera cheia de borboletas voando para todos os lados.  Eram tantas, que saíam pela boca em aparência de sorrisos incontidos. Muitas delas ainda estão aqui fazendo festa. O meu abraço, sedento por abrigo, deu vida própria aos meus braços, que não conseguiam parar de te trazer pertinho para eu me aconchegar em você de forma voluntária e incontrolável! Os meus olhos, depois que te viram, não param de cantarolar a canção da Ana "eu não sei parar de te olhar".

Meu coração é outro caso. Deixou que todas as outras partes de mim se encantassem com partes isoladas de você para que ele pudesse perceber o todo. Ele sabe que aí tem uma pessoa cheia de particularidades e mistérios e segredos para serem desvelados, com algo novo para ser conhecido todos os dias. Tem alguém que merece ser amado pelo que é e não pelo que possui. Um ser cujo valor não pode ser quantificado. Meu coração é assim, sonhador, bobinho, mas maduro em algumas situações. Devo confessar que, lá no fundo, ele e todo o meu corpo e meus sentidos desejam te prender no meu peito e não te deixar escapar  porque a vida ganhou um novo sentido além dos antigos. Mas a minha razão esfrega na minha cara o seu poder de decisão e me lembra que você pode escolher não ficar.

Eu não tenho medo de te perder. É só uma não querência mesmo. Perder você de vista é encarar o fato de que precisarei me achar novamente. Me encontrei em você e te perder é perder um pouquinho de mim também. Nada muito trágico que eu não consiga superar. É que todas as pessoas especiais costumam levar um tantinho da gente com elas. O que eu tenho é saudade de todos os filmes que nós poderíamos assistir e que nos assistiriam, das músicas que ouviríamos juntos, dos lugares que receberiam nossa presença, das brincadeiras que faríamos um com o outro, dos apelidinhos "inhos", do café a dois, do meu carinho te aquecendo no frio. E tenho dó também. Dó do pôr do sol que não poderia nos aplaudir num fim de tarde. E pena da lua, que tanto torce para que eu encontre alguém, que não ela, para admirar. No mais, continuaria procurando meu par, ímpar como só ele, tipo você.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

Deus meu... Inspiração



Deus, 
Aceita minha oração
Minha estrofe, meu poema
Meu canto, minha canção 
Porque minha rima, ainda que pobre
Pois não sou santa, nem sou nobre
Carrega nela meu coração. 

sábado, 7 de maio de 2016

Depois do adeus



(O Teatro Mágico - Refúgio)

Há quanto tempo você não me vê
Todos os dias vejo você
Sei que a saudade ainda está por aí
E como haveria de não estar aqui?

Estou no amor que te sonda em todos os momentos
E o seu amor é meu alento
O sopro de vida que me mantem forte
E mesmo de olhos fechados, atento

Já não posso tocar sua pele porque hoje sou abstração
Mas posso ainda encontrar sua alma, sua calma, seu ar 
Chegar de mansinho de madrugada e te tirar pra dançar
Pois mesmo distante, ainda que morto, seu pulsar me faz são

Desocupe meu espaço na casa, no armário
Mantenha-o apenas no seu coração 
Guarde a certeza de que daqui do outro lado, por todos os lados
Eu sempre canto contigo aquela nossa canção

terça-feira, 3 de maio de 2016

Anna



Com cabelos encaracolados 
Cacheadinhos de música e sol
Olhos verdes pintados de mar 
Ela brinca e sorri para o mundo encantar

Gosta de viajar 
E nem precisar sair do lugar
Visita cantinhos que só ela conhece
De seu coração que vive a sonhar

Annantenada e curiosa
Inventa palavras, poesias e prosas 
Cheia de perguntas sem respostas 
Tem muitos segredos e muitas histórias

Que crescida essa pequena
Que menina sapeca e bacana
Um dia vai ser gente grande 
Mas que seja sempre Anna

Para a pequena Anna!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Eu na vida... Fevereiro



Às vezes me sinto como fevereiro, menor que os outros e, volta e meia, maior do que normalmente costuma ser. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Por quê?



São tantos os porquês da vida... Só na língua portuguesa já temos quatro variações para não restarem dúvidas (ou seria para não faltarem?)!

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Sinastria



(De todos os loucos do mundo - Clarice Falcão)

Nós dois, tão pateticamente iguais, inclusive na estupidez. A sinastria mais incrivelmente perfeita de que se tem conhecimento na história. Dois ridículos competindo para ver quem consegue ser mais sacana com o outro. Tanta coisa em comum e um mundo de imaturidade a ser superado. Como pode ser? Eu e você tentando de tudo para atrapalhar o que já tá escrito há milhões de anos. O script está todo perfeito, mas a gente apaga e deturpa tudo, só pra variar. Sempre damos um jeitinho de dar aquela entortadinha no ponto de exclamação e nos tornamos uma grande interrogação.
Eu não suporto esse seu jeito indeciso e o meu jeito meio turrão, sabe? Mas eu amo tudo que um dia a gente fez e tudo que um dia a gente ainda vai fazer
Será que um dia vamos parar de dar trabalho ao destino? Qualquer hora dessas ele se cansa e nos prega uma peça daquelas!  O mundo já tá cansado de avisar. É tão fácil, tão fácil que a gente precisa até complicar.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Do mundo


(Pra curtir a vibe - MAGIC! - Don't kill the magic)

Pé no acelerador. O som do MAGIC! tocando. Vento forte entrando pela janela. Carros ultrapassando. Me pergunto internamente para onde estão indo. A cada trecho da estrada vou jogando algo fora. No km 01 uma mágoa, no km 15 algumas culpas, no km 40 várias raivas, no km 100 liberei o que sobrou de preocupações. Na BR 0 não sei o que despachei as malas pesadas do meu interior que limitavam minha locomoção. Do meu lado só Deus. No banco de trás a mochila companheira e nela nada além do necessário. No passado já tem espaço para novas lembranças. No presente, desejos. Nos pés, vontade de novas ruas, novas trilhas. No corpo, sede de mar, cachoeira, rio, natureza. No pulmão, anseio para respirar novos ares. No coração, o mundo inteiro!
A paisagem pelo caminho inspira palavras. Morros, serras, litoral... Poucas horas me separam do meu destino... a vida! A liberdade me abraçou e parece não querer soltar. E quando eu voltar pra casa trarei tudo comigo, fotos, amigos, culturas, lugares, quem sabe um amor, e principalmente, eu mesma. Sem medo de me arrepender pelo "tempo perdido" ou "dinheiro mal gasto". Já estou acumulando bens, a felicidade, as "good vibes", a serenidade, boas histórias pra contar. Cultivando a leveza de ser, fincando raízes em todo lugar. Aprendendo com um desafio diferente a cada dia, me virando do jeito que posso. Identificando a beleza de todos os detalhes, fundindo-me com universo. Se quiser vir, me encontre aqui, no sossego de um lugar paradisíaco chamado paz!       

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Anestesia


(Uma música fala mais que mil palavras -> Logo eu - Luiza Possi)

Tudo tem seu lado bom. O sofrimento, por exemplo, é matéria-prima para quem gosta de tecer palavras. Mas ando tão sei lá que nem para sofrer tô funcionando. Talvez seja tolerância, tantas doses que o corpo se acostumou. Tô sedada para o mundo. De tanto que pedi, ele parou, mas agora não consigo nem ao menos descer.

"Um paradoxo do pretérito imperfeito com a teoria da relatividade!'"


(Minha trilha sonora - Destino incerto - Alma D'jem)

Estou contradição. Morrendo de vontade de encontrar alguém. Aquele alguém que me fará esquecer que um dia houveram outros alguéns. Que me provará que reciprocidade não é história da carochinha. Que vai jogar na minha cara que príncipes não existem, mas que um sapo pode ser encantador. Encantador não! Vou procurar outro adjetivo ou que seja esse alguém o próprio adjetivo. Estou excluindo dos meus dias qualquer palavra que contenha dor. Encantador, encanador, roedor..
Ah, vi a dor! Vi sim... e senti também. E ela não me deixou saudades, talvez porque ainda esteja aqui. Tão aqui que estou a falar dela sem parar, mudando o rumo da prosa.
A fatalidade é que, paradoxalmente, em paralelo a minha vontade de encontrar alguém, eu quero estar sozinha também. Acho que 'nunca antes na história desse país' eu quis tanto curtir a minha solitude, estar comigo mesma, superar meus medos, meus limites, tolerar-me como nunca, sair da minha zona de conforto. E que zona! Parece que ter completado 1/4 de século me deixou tão diferente, irreconhecível, que hoje sinto essa necessidade de me resgatar... Resgatar não, desvendar! É curioso como algumas roupas do meu armário que antes eu amava, hoje cabem no meu corpo, mas não cabem mais no meu estado. Meu estado agora é outro, acho que meu país também.
Junto com o anseio de ter alguém, eu tenho o desejo de tomar um café na companhia de mim mesma, ir ao cinema só comigo, dançar sozinha, viajar só nós dois, Deus e eu. Sei lá, tenho a impressão de que, nesse momento, não dá pra eu me apresentar de uma forma tão idônea para um outro ser porque estou tendo a grata surpresa de me deparar com um eu que não tenho tanta intimidade ainda.
Talvez eu seja sim uma contradição. Mas não por querer encontrar alguém e simultaneamente querer estar sozinha. Pode ser que eu queira ser encontrada. E pode ser, sobretudo, que, talvez, eu esteja enlouquecida para encontrar alguém muito especial, sem a qual não poderia viver e que tem o poder de me fazer esquecer todos os outros alguéns... Eu mesma.
Estou no auge dos meus 25 anos e aprendi a deixar partir o que precisa ir. Aceito a dor, só que hoje eu prefiro o mar... remar pro interior da minha imensidão, amar o que minha nova vida me traz, rimar minhas linhas com as curvas do vento, perfumar o mundo, inflamar de amor!