Meu coração é de uma casta que sonha com o fervor de todas as almas que ele já pode ter tido. Se tem vontade intensa de entregar amor acumulado de outras vidas, entrega-se aos corações dessa vida como se não houvesse o depois. Ele leva impresso em suas paredes memórias das mais variadas. E entre flores e dores, ele vive - em caixa alta. Porém mesmo vívido e cheio de fé, ele se sente só, às vezes, desejando se tornar o pico gelado de uma montanha bem alta, inóspita e inacessível. Mas ele é bobo e coração bobo reconsidera os planos quando se depara com sorrisos singelos e únicos.
Não é sempre que se tem a sorte de contemplar sorrisos únicos. Ele teve quando esbarrou no seu. Ele sorriu timidamente no primeiro segundo, no segundo deu risadas sonoras para que todo o meu corpo pudesse ouvir. E ouviu!
Os meus ouvidos ficaram ávidos para conhecer o som que sairia da sua boca. E eles sentiram calma, como quando ouvem música, e adoraram seu jeito de falar, meio carregado do sotaque mais amorzinho que existe. As minhas mãos ficaram desesperadas. Não sabiam o que fazer. Queriam escrever coisas bonitas, mas queriam mais tocar as suas e fazer carinho nos dedos. Porque carinho nos dedos expressaria tudo que elas não conseguiam. Nem preciso te lembrar como elas ficaram quando o dia especial chegou. Suavam de vergonha e nervosismo. Você sabe bem! Acredite, elas estavam com a melhor das intenções.
Fez-se primavera na minha barriga. Primavera cheia de borboletas voando para todos os lados. Eram tantas, que saíam pela boca em aparência de sorrisos incontidos. Muitas delas ainda estão aqui fazendo festa. O meu abraço, sedento por abrigo, deu vida própria aos meus braços, que não conseguiam parar de te trazer pertinho para eu me aconchegar em você de forma voluntária e incontrolável! Os meus olhos, depois que te viram, não param de cantarolar a canção da Ana "eu não sei parar de te olhar".
Meu coração é outro caso. Deixou que todas as outras partes de mim se encantassem com partes isoladas de você para que ele pudesse perceber o todo. Ele sabe que aí tem uma pessoa cheia de particularidades e mistérios e segredos para serem desvelados, com algo novo para ser conhecido todos os dias. Tem alguém que merece ser amado pelo que é e não pelo que possui. Um ser cujo valor não pode ser quantificado. Meu coração é assim, sonhador, bobinho, mas maduro em algumas situações. Devo confessar que, lá no fundo, ele e todo o meu corpo e meus sentidos desejam te prender no meu peito e não te deixar escapar porque a vida ganhou um novo sentido além dos antigos. Mas a minha razão esfrega na minha cara o seu poder de decisão e me lembra que você pode escolher não ficar.
Eu não tenho medo de te perder. É só uma não querência mesmo. Perder você de vista é encarar o fato de que precisarei me achar novamente. Me encontrei em você e te perder é perder um pouquinho de mim também. Nada muito trágico que eu não consiga superar. É que todas as pessoas especiais costumam levar um tantinho da gente com elas. O que eu tenho é saudade de todos os filmes que nós poderíamos assistir e que nos assistiriam, das músicas que ouviríamos juntos, dos lugares que receberiam nossa presença, das brincadeiras que faríamos um com o outro, dos apelidinhos "inhos", do café a dois, do meu carinho te aquecendo no frio. E tenho dó também. Dó do pôr do sol que não poderia nos aplaudir num fim de tarde. E pena da lua, que tanto torce para que eu encontre alguém, que não ela, para admirar. No mais, continuaria procurando meu par, ímpar como só ele, tipo você.

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