terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Le fabuleux destin d'Amélie Poulain


Ela é uma menina.
Na verdade já é uma mulher, mas com o sorriso delicado de menina.
Com a alma brincalhona de menina.
O olhar é um pouco perdido, ás vezes vazio, como das mulheres grandes.
Mas os sonhos são de menina.
A criatividade para mudar o mundo é de menina.
A solidão desconcertante é de mulher.
A imaginação maluca é de menina.
As fantasias fantásticas são de menina.
Mas a maturidade de compreender os outros é de mulher.
Toda a ingenuidade é de menina.
O rosto bravo para as pessoas malvadas é de menina.
O coração independente é de mulher.
As traquinagens são de menina... e de menina levada.
A presença leve e um tanto graciosa é de menina.
A simplicidade e singeleza são de mulher.
O amor que ela emana é de menina...
Não, é de mulher...
O amor me confunde!
Não sei se ela já é menina ou se ainda é mulher.
E deve ser bem por isso que ela é fabulosa...
...assim como o fabuloso destino dela!

Inspirado na minha personagem preferida, Amélie. Bobinho como ela!
Le fabuleux destin d'Amélie Poulain é um dos filmes mais delicados que já vi. Ótima direção de Jean-Pierre Jeunet e a fotografia genial de Bruno Delbonnel. Lindo, como só o cinema francês sabe ser. E com a atuação da doce Audrey Tautou, minha atriz favorita. Com a trilha sonora perfeita de Yann Tiersen. Um filme fabuloso (até no nome). E como me identifico com a peculiar Amélie!



segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Psicolouca!


Já quis ser tantas coisas nessa vida. Aos 5 sonhava em ser cantora de ópera. Fiz várias apresentações no sofá da minha casa. Achava encantador ouvir as cantoras de ópera (e ainda acho). Mas a afinação lírica não era bem o meu forte. Então, continuei a carreira no mundo da música erudita, mas dessa vez como instrumentista. Na verdade, eu queria muito tocar violino e cheguei a reger algumas orquestras da televisão com uma batuta imaginária. Também toquei um piano invisível com “a Moça” (era o Mozart, mas só descobri que era esse o nome anos depois. Na época eu entendia ‘Moça’). 
Vista toda a dificuldade do mundo musical, um ano depois, ao 6, enveredei-me para as artes plásticas. Pintei várias obras com sensibilidade de uma artista nata. Minha especialidade eram as pinturas abstratas com tinta guache em papel A4. Tinha um estilo muito particular de trabalhar com os dedos, de olhos fechados. Minhas exposições no varal de roupas foram um sucesso! Minha mãe marcou presença em todas. Em paralelo às artes plásticas, aventurava-me na dramaticidade. Eu recitava as poesias infantis da Cecília Meireles com interpretações comoventes dignas das divas do cinema. Um talento teatral incontestável. Essas carreiras também duraram pouco e eu não parava de crescer. 
Já maiorzinha, com cerca de 9 ou 10, fui um tanto contaminada pela sociedade capitalista e sonhei em ser uma empresária com muitas ações para ficar gritando loucamente naquele prédio onde todo mundo grita (Wall Street). Alguns anos depois quis ser cantora de rock e, mais tarde, quis cantar MPB. Aos 13 quis ser escritora. Aos 14 realizei o sonho de ser musicista e toquei em uma orquestra. Isso durou até os meus 19. E eu fui extremamente feliz durante esses anos. Mas nesse meio tempo, acho que com uns 15 ou 16, interessei-me pela Psicologia. Fui pesquisando, pesquisando e pesquisando e meu interesse só aumentava. Até que ser psicóloga se tornou meu sonho. 
E fui trabalhando nesse sonho. Foram muitos finais de semana em que disse não para os meus amigos porque precisava estudar. Foram muitas manhãs, tardes e noites de portas fechadas no quarto para poder ter uma chance de passar no vestibular. Fiz as provas e aguardei, ansiosamente pelos resultados. Até que o fim da espera chegou. Era 13 de fevereiro de 2010, por volta de 00:15, quando uma bolinha verde me fez feliz. Eu consegui bolsa integral na faculdade para estudar Psicologia. Era o meu sonho que estava sendo realizado, desde o instante em que decidi lutar por ele. 
Cada etapa concluída foi uma conquista para chegar até aqui.
Tudo que um dia eu quis ser faz parte de mim, faz música dentro de mim. Mas foi a Psicologia que me tirou para dançar. E eu quero ser um bom par. 
Hoje eu sou cantora. Canto embaixo do chuveiro, na sala, no karaokê com minha amiga. 
Hoje eu sou escritora. Escrevo no meu blog para mim mesma, escrevo nas agendas velhas. Já escrevi até livro para presentear alguém especial. 
Hoje eu sou artista plástica, sou musicista, sou atriz porque o meu coração é tudo isso.

Hoje estou até me arriscando na cozinha (e vou pro Masterchef! haha)
Hoje eu continuo sonhadora como sempre fui (acho que desde antes de nascer)! 

E hoje, sobretudo, eu sou psicóloga. 
Estou feliz pelas escolhas que fiz e, principalmente, por ter sido escolhida por essa profissão que tanto amo.
Gratidão a Deus por absolutamente tudo que sou/estou hoje!!!

Juramento sagrado



(Música do dia: Máquina do Tempo - Aggeu) 

Se arrependimento matasse, eu estaria definhando. Na semana passada, revendo fotos e relembrando fatos com a Lindy (minha melhor amiga), resolvemos ler nossos devaneios. Caramba! Demos muita risada das bobagens que ela escreveu um dia. E em mim bateu o imenso arrependimento de ter jogado meus cadernos de texto no lixo, de ter excluído meu primeiro blog, Queria tanto poder voltar no tempo e não fazer essa idiotice. 
Quanta demência! Eu me desfiz do meu maior tesouro e hoje eu sinto vontade de chorar porque parece que eu me neguei. Neguei o que era meu, o que era sincero. 
Tudo começou por volta dos meus 12 anos, quando escrever no meu caderninho era a única coisa que me distraía e me fazia esquecer toda turbulência pela qual eu passava naquela época. Foi então que percebi nas palavras um porto seguro. Escrevia sempre que eu sentia vontade. No shopping, na praça de alimentação, na escola, embaixo das árvores, atrás das pilastras. Se eu  não tivesse feito a besteira de deletar tudo, teria o acervo mais rico da minha vida. Não que eu seja uma escritora fodástica, longe disso, mas eram minhas produções. E só hoje reconheço o valor inenarrável de tudo aquilo. 
Por isso, aqui e agora prometo que nunca mais vou me desfazer dos meus escritos, por mais idiotas que pareçam ser. 
E para me lembrar disso, um textinho meu (um desabafo, na verdade) de sei lá quando que a Lindy guardou. 

"Tudo tão sem sentido. Por que tem que ser assim? Nâo seria mais fácil ser tudo perfeito e então continuaria tudo colorido no meu mundinho? Eu não sabia que doeria tanto! Por que logo comigo? Sempre tão sonhadora, tão ingênua, tão crente que encontraria em você alguém pra mudar a minha cabecinha doida!

Como as coisas mudam... Isso me assusta! Por que aprender da forma mais cruel, mais desumana? Você se mostrou com palavras e eu vi a verdade em seus atos. E agora todas palavras voaram com o meu sonho. Não entendo por que é tudo tão complicado! Realmente não tinha como dar certo. Você é tão indeciso, tão cheio de dúvidas. E eu? Eu mais ainda! 
Eu preciso de alguém que me dê força e não que me tire força. Eu preciso de alguém que enxugue as minhas lágrimas e não que as façam cair. Eu preciso de alguém que me ame de verdade, sem mentiras, sem máscaras, sem falsidade. Preciso de uma saída, uma rota de fuga pra tudo. 

Fugir... Fugir do mundo, fugir de você, fugir de mim....  Me esconder. É essa a melhor opção? Eu sei que não, mas sinceramente eu não sei de mais nada. Nada, é tudo que eu quero... Nada!"

Sem muita preocupação léxica, mas extremamente verdadeiro!
Aahhhh... Queria poder resgatar todos!! Abrir uma portinha no meu cérebro e ver se estão arquivados lá... 

"Quero voltar... Entrar na máquina do tempo é só ilusão, eu sei."  

domingo, 28 de dezembro de 2014

Carnificina


O tempo correndo feito louco e eu aqui com um mundo de coisas pra fazer. Certa vez ouvi dizer que aquela velha desculpa do “não tenho tempo” não vale de nada. Me disseram que todos temos 24 horas diárias. O que priorizar nessas 24 horas somente nós mesmos podemos decidir. Engraçado que, falando desse jeito, parece tudo tão simples. Como se fosse uma prioridade minha pensar em você. Eu odeio pensar em você quase 100% do meu dia. Ainda que ele tivesse 32 horas, seriam 1920 minutos pensando em você. É ridículo. E eu detesto essa vontade insana de falar contigo - humilhação a que me sujeito por seis dias e meio durante a semana. É tão degradante reconhecer que nos 355 dias do ano em que está longe de mim, você usa outras dezenas de mulheres da mesma forma, ou mais intensamente, que me usou nos míseros 10 dias em que tive sei lá o que da sua presença. 

Me joga fora desse lixo de relação que você me submete. Me joga fora porque eu não consigo sair com meus próprios pés. Eu já dispensei todos os conselhos e livros de auto-ajuda. Eu não preciso de carrascos, já faço esse trabalho muito bem feito, obrigada. Você realmente acha que eu te adoro tanto só porque mandei 47 mensagens em 45 minutos, né? Na verdade, eu queria mesmo era te dizer pra não vir. Pra não aparecer aqui nos próximos 50 anos. Pra ficar bem longe. E que se você insistir em vir, vou adorar cuspir na sua cara e te dar um chute entre as pernas só pra te ver caído, ultrajante, do jeito que você me deixa quando mistura sua saliva na minha. Ah! Como eu gostaria de te ver rastejando, mendigando pra eu te soltar das minhas amarras. Mas eu sou tão estúpida que quando você vem, são menos de 3 segundos pra eu esquecer tudo isso e enfiar minha língua na sua boca. E é nesse beijo inebriante e desesperado que eu tento tirar sua essência pra mim. É nesse beijo sufocante, quase violento, que eu planejo em 1 segundo sugar toda sua força. A força que me falta pra te negar, pra eu me deixar ir embora. 

Me despreza definitivamente, sem rodeios! Não bastou transformar minha vida em uma sequência de domingos e segundas? Pensa em mim ao menos uma vez e diz logo que não me quer, que eu não sirvo pra você, que enjoou do meu gosto, da minha pele. Fala sem medo que pra você tanto faz se eu te odeio ou não, que eu nunca fiz parte do seu mundo, nem como um brinquedo. Não demora. Me joga fora, por favor. Acaba com isso. Não é preciso mais que 5 minutos. Eu tenho muita coisa pra fazer. Me libera pra te esquecer. 

26 de maio de 2014

sábado, 27 de dezembro de 2014

(In)consciente



Verdades, assim como as mentiras, têm o poder de acabar com alguém.

Não é à toa que nosso próprio ego encontra mecanismos que bloqueiam certas verdades de nós mesmo. E elas ficam lá, guardadas em um lugar secreto, obscuro, inacessível… Um buraco negro cheio de segredos. Se soubéssemos de todos os pormenores de nosso mundo as consequências seriam tão avassaladoras que não caberiam no racional. Sim, a loucura pode ser fruto do contato completo de alguém consigo mesmo. 

Ser humano: auto-suficiente… auto-destrutivo. 

Devaneios durante uma aula de psicanálise, datados de 2012. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Ela só queria ser sexy


Era uma daquelas mulheres de cabelos compridos, muitas ocupações e vários tropeços pela vida (literalmente!). Dona de uma alma multicolorida e de um coração altamente derretível. Através dos óculos anti-reflexo podia-se ver sutilmente refletida a essência que carregava nos olhos… A essência de acreditar que o mundo poderia ser seu. Mas não se conformava com o fato de que, às vezes, pediam-lhe a identidade para entrar no sex shop. Como no auge dos seus 20 anos ainda ter essa carinha de menina? Mirou, então, um novo alvo: Ela queria ser uma mulher notavelmente poderosa e devastadoramente sexy. 

E com a determinação de sempre foi atrás da “injeção” de que precisava. Pesquisou em vários “manuais” das mulheres poderosas, listou os trejeitos das mulheres sexys e começou a busca desenfreada pelo ideal imposto por essa sociedade perversa. Logo providenciou a chapinha e tornou-se dela uma súdita. Não suportava a ideia de fazer as unhas toda semana, mas sujeitava-se a isso pois sabia que era apenas um dos meios para se chegar ao fim. E a cada nova cor nas unhas, era uma cor a menos naquela alma multicolorida. A cada movimento sistematicamente previsto um pouco do brilho do espírito livre se deslocava para os cabelos agressivamente lisos. 

Tentava todos os dias equilibrar-se no salto, enquanto seu ego caia da autenticidade para uma invenção estereotipada. E nos momentos em que surgia um raio de espontaneidade através de um sorriso largo e despreocupado, logo pensava “foco!” e os movimentos robotizados tenebrosamente retornavam. Deparava-se a todo instante com um alguém estranho a quem ela se referia em primeira pessoa. Um eu que ela não reconhecia. Percebeu que por trás dos óculos não se via mais a essência que outrora a enchia de energia. Sentiu, então, a súbita ânsia de encontrar o caminho de volta pra si e, quem sabe, achar a leveza que fugiu sem deixar rastros. 

Deixou de querer ser sexy pra ser ela mesma. Desceu do salto e assumiu a rasteirinha com aquele vestidinho solto que ela adora. Anda distraída, às vezes tropeça, mas nada lhe tira a leveza de estar de acordo com sua verdade. Pinta as unhas e o rosto quando sente vontade, mas colore o mundo com a áurea iluminada e as gargalhadas autênticas. As ondas dos cabelos agora dançam harmoniosamente, soltas no ar. Não liga se tem carinha de menina, porque sabe que dentro dela há uma mulher muito melhor que as vãs rotulações podem supor. Ela se deparou novamente com a avassaladora sensação de ser livre! E há quem diga que isso a torna peculiarmente… sexy 

#autobriografia
7 de outubro de 2012

Nota de agradecimento ao Sr. Noel



Nunca fui muito ligada nesse negócio de Natal. Nunca escrevi para o Papai Noel, nem montei árvores e muito menos ganhei presentes. Sempre foi, para mim, uma data como outra qualquer em que as pessoas comem exacerbadamente, gastam o suado dinheiro numa jogada capitalista para o aumento de consumo e, o pior, nesse período o nível de hipocrisia é relativamente maior. E não é que eu seja uma pessoa desacreditada da vida, só acho que o amor, a solidariedade, a gratidão e todas as outras coisas do “espírito natalino” deveriam ser cultivadas durante todo o ano e não apenas em um só dia.

Enfim, o fato é que a vida é mesmo uma caixinha de surpresas… de todos os tipos! E para o meu espanto, o velho Noel se cansou de esperar minha carta e resolveu me presentear espontaneamente. Talvez ele já estivesse de saco cheio com tanta indiferença! Com o anseio de me deixar estupefata, ele preparou com todo zelo e primor o meu presente. E ansioso pelo reconhecimento, nem esperou a data “certa” para fazer a entrega!

O meu presente “surgiu” de repente! Emergiu dos sonhos envolto por palavras e vírgulas e sons e poesia. Ele também é filho da Lua e, assim como ela, reflete o brilho do sol no encanto do sorriso. E quando ele fala da vida, do mundo, de si, dá para sentir a energia de todos os elementos da natureza que estão reunidos em seus olhos. Ele é constituído por todas as coisas boas que existem (incluindo marshmallow e chocolate!). E por incrível que pareça, ele apareceu pedindo ajuda. Mas mal sabe que foi ele que me ajudou a perceber e reviver “coisas” que há um tempo estavam anestesiadas, dormentes, “esquecidas”. Ele me levou mais perto de mim.

O meu presente não custou dinheiro. O meu presente é consequência de experiências vividas, dos amores perdidos, das esperanças renovadas, dos choros, soluços, sorrisos… Tudo isso contribuiu para que ele chegasse aqui. Mas, okay, Sr. Noel, sob efeito de todo meu fascínio, te dou os créditos do meu lindo (e merecido) presente mágico de natal.

Para Diogo, o presente de natal. 
Escrito em 24 de dezembro de 2012