quinta-feira, 4 de julho de 2019

Pensamento que veio e logo foi




Que ódio tenho dessa sua cara linda. 
Nem no ápice da minha raiva consigo imaginar maneiras de te matar dentro de mim. 
A saudade fica ruminando a imagem do seu sorriso estupidamente charmoso. 
Minha fantasia trabalha, dia e noite, lembrando tudo que ficou pendente pra gente viver. 
A razão implora por um espaço no meu coração ingênuo e palhaço que, de tanto amor, ainda nem soube doer. 

Completa


Para me mostrar de frente 
Espalho meus versos 
Por todos os cantos 
Me afogo nos verbos, nomes, sujeitos 
Sem licença pra violar regras 
Abrindo espaço pra urgência passar 
Pois, se por fora, minha lágrima é só gota 
Por dentro eu sou o próprio mar

quarta-feira, 3 de julho de 2019

O silêncio do mar



A lua se mudou do céu
Sussurrou baixinho pro mar
Que não suportou olhar pra cá
E não ver do alto a dança boêmia
Do encontro das nossas mãos

O sol até se jogou lá de cima
Esperançoso por acabar com o mundo
No instante em que soube pelo mar
Que a vida dos nossos dias findou
E não mais teria nosso calor pra se esquentar

O mar, guardião de tão mal anúncio,
Recolheu num lamento choroso
A ciranda das ondas, as conchas da areia
O tempero do sal, a infinitude do ser
Só quis saber de afogar nossa desventura

A natureza chora profundo
Pesarosa por tamanho desvario de seus filhos
Negarem, sem razão, o amor que com ternura reservou
Não tendo mais motivos pra cantar, calou.