A lua se mudou do céu
Sussurrou baixinho pro mar
Que não suportou olhar pra cá
E não ver do alto a dança boêmia
Do encontro das nossas mãos
O sol até se jogou lá de cima
Esperançoso por acabar com o mundo
No instante em que soube pelo mar
Que a vida dos nossos dias findou
E não mais teria nosso calor pra se esquentar
O mar, guardião de tão mal anúncio,
Recolheu num lamento choroso
A ciranda das ondas, as conchas da areia
O tempero do sal, a infinitude do ser
Só quis saber de afogar nossa desventura
A natureza chora profundo
Pesarosa por tamanho desvario de seus filhos
Negarem, sem razão, o amor que com ternura reservou
Não tendo mais motivos pra cantar, calou.

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