terça-feira, 19 de novembro de 2013
Suas malas já estão aqui...
(Escrevi esse texto ouvindo Fim de Caso - Dolores Duran)
...Por favor, não vamos matar o amor que nos resta com essa insistência patética. Ele nos fez tão bem, deu-nos momentos tão bonitos... É preferível deixá-lo ir à mantê-lo na tortura do nosso dia-a-dia.
É mais digno que encerremos agora essa caminhada, já que não há mais paisagens que nos forcem a coragem. Então, não vamos perder a chance do nosso último ato de bravura para fazermos isso por nós. Não sejamos tão covardes a ponto de não admitir que escutamos o prelúdio do fim.
A nobreza também mora no reconhecimento de que algo precisa acabar, para o bem. Sofrimento muito menor é o que vamos sentir ao atravessar o campo minado necessário para explorar um mundo novo, desconhecido e estranho. Continuar na monotonia de uma lâmina que dilacera devagar não é justo pra ninguém.
Eu não vou te guardar no fundo de um gaveta de papeis velhos e amarelados. E você, não me coloque num porão empoeirado pra desaparecer entre as ruínas. Nossa despedida não pode ser capaz de nos deixar tão a esmo. Merecemos lugares melhores.
Sejamos sábios para preservar o que de mais sereno fizemos por nós mesmos.
"Estar-se preso por vontade..."
Dia desses eu estava andando na rua e ouvi a música que alguém estava ouvindo. E a letra dizia algo do tipo "sorte de quem está solteiro porque não está preso à ninguém". E logo um bocado de vagalumes acenderam o bumbum na minha cabeça e eu pensei "pô... é essa a ideia que as pessoas tem do amor? Uma prisão?".
Sim, porque eu parto do princípio de que quem não está solteiro, está em um relacionamento... Se a pessoa está em um relacionamento é porque ela ama ou pelo menos gosta muito do outro (a menos que ela esteja sendo obrigada por alguma circunstância infeliz da vida... é, elas acontecem) e isso é estar preso?
Relacionarem o amor à prisão de fato me assusta!
Porque na minha concepção, o amor está muito mais ligado à liberdade, à sentir-se pleno do que à castração, à limitação.
Amor é um negócio tão bonito chega a ser ridículo, às vezes, sabe? Esse discurso (que não deveria ser apenas um discurso) de deixar o outro livre porque, se ele quiser verdadeiramente, ele fica, é muito pertinente. Já pensou que isso faz todo sentido? Porque se ele não quisesse ficar de verdade, você gostaria que ele ficasse porque você o obrigou, pressionou? O outro por acaso é um ser destituído de vontade? Não, acho que não! Ele tem vontades e mais... tem a possibilidade de escolha! E cadê a educação que mamãe te deu para respeitar a escolha do outro?
Ihh, já tem outros construtos aparecendo aqui!
Foco no amor e.... x!
O amor... o amor inspira liberdade. Veja bem, eu não disse permissividade ou libertinagem. Mas o outro precisa do espaço dele pra ser ele mesmo. Ou você acha que agora é obrigação dele te fazer feliz e completar todos os vazios com os quais você não pode lidar?
E lembre-se, você é um "outro" para alguém... E, portanto, também merece esse respeito, essa plenitude, essa liberdade, esse amor!
É uma loucura, para mim, pensar que tem pessoas que jugam o amor assim, de forma tão cruel.
PRISÃO!
Isso é outra coisa... E estão confundindo o amor com essa outra coisa!
P.S.: Ah, fazendo uma referência ao título do post. Acho lindo o poema do Camões, mas continuo achando a palavra "preso" muito pesada. Prefiro pensar em "fixar morada" em um lugar dentre tantos outros disponíveis... Com a beleza de ter sido escolhido e a compreensão de que um dia alguém pode se mudar!
P.S.S.: A imagem... um coração formado por pássaros (a arte do editor de imagens!)... bem significativo!
sábado, 2 de novembro de 2013
Amor de padaria
Ele é um pão, eu sou um sonho!
Vamos nos casar e teremos lindas rosquinhas.
Amor quentinho de forno à lenha
Recheado de doce de leite
Coberto de chantilly e chocolate granulado
Um amor bem longe dos frios e salgados!!
Vamos nos casar e teremos lindas rosquinhas.
Amor quentinho de forno à lenha
Recheado de doce de leite
Coberto de chantilly e chocolate granulado
Um amor bem longe dos frios e salgados!!
Café pra dois
(Escrevi esse texto ouvindo Tous les garçons et les filles - Le Prince Miiaou cover)
- Café bem forte e amargo pra dois, por favor.
- Não seria melhor esperar sua companhia chegar? O café pode esfriar.
- Não, ele não vai chegar, nem espero mais. Por que pra dois? Ora, porque eu gosto desse gostinho amargo em grande quantidade. E não me olha com essa cara de piedade, moço. Você por acaso sente falta de algo que nunca teve? E pelo que eu saiba, você nunca me viu com alguém, viu? Como? Alguém pra conversar? Ah! Eu tenho psicólogo, mas se você quiser pode sentar à mesa pra gente trocar umas ideias ou ficar em silêncio. Já percebeu como o silêncio faz bem? É, eu gosto de ficar sozinha, curtindo o silêncio. Eu sempre me dei muito bem com a minha solidão. Carinho? Ah, meus pais são vivos e, eu tenho cachorro! Não ri, vai... É verdade! Você realmente acha que precisa de alguém pra viver? Eu terminei a faculdade, tenho meu emprego, meu carro mais ou menos, meu a.p.... E consegui tudo sozinha, acredite! Ah, é... às vezes eu gostaria sim de acordar com alguém num domingo de chuva e passar o dia vendo filme, jogando conversa fora, tomar um chocolate quente. Mas meu travesseiro me entende e fica tudo bem. Ai, desculpa você precisa trabalhar e eu aqui tomando seu tempo. Vai lá! E, quem sabe, qualquer dia, tipo amanhã, eu volte e peça um café bem forte e amargo pra dois. Pra nós dois.
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