terça-feira, 4 de dezembro de 2018

O pulso já não pulsa mais



Uma adaga atravessando o peito e rasgando a alma.
Um coração esguichando sangue, esmagado pela dor. 
Um mundo destruído, derrocado, demolido. 
Um oceano de lágrimas aflitas. 
Uma angústia maior que o infinito.
Um século de dias nublados e noite frias. 
Um corpo débil, enfraquecido, esmorecido
Uma mente louca, alucinada, delirante. 
Um ser humilhado, abatido, destituído.
Um amor nobre, desprezado, maltrapilho, abandonado. 
Um eu que sem você não sou. 

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Lição #2: Conjugação verbal



Eu amo seu olhar.
Amo a forma como você para o tempo no momento mais bonito. 
Eu amo suas mãos e o modo suave como faz músicas com elas. 
E amo mais ainda quando me afagam carinhosamente. 
Eu amo o seu sorriso e essas covinhas lindas que surgem quando você sorri.  
Amo sua voz mansa e amo quando você sussurra e eu viajo no seu timbre. 
Eu amo seu abraço, seu beijo... 
Eu amo a pessoa melhor que você me inspira a ser. 
Eu amo sentir o que me faz sentir.
Eu amo você. 
Amo. 

Para o dono das covinhas lindas! 

terça-feira, 26 de junho de 2018

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Lição #1: Monossílaba



(Coração Radiante - Clarice Falcão)

Sinto uma vontade tão inquieta de te chamar de meu. Uma vontade que sabe que ninguém é "meu" de ninguém, mas continua cutucando, rebelde. É uma vontade tão teimosa que nem se importa em ser polida. Dispensa todas as regras de etiqueta de "agora não! Espera mais um pouco pra não sufocar o rapaz!" e de repente, pah, joga a palavra sem eu nem poder controlar!

É uma vontade que parece criança, que salta, que brinca, que vive aqui-agora com urgência porque amanhã é só amanhã. Que vontade imediatista, ansiosa! Um bichinho, um incômodo, uma outra personalidade!? Nem sei! Já estou sucumbindo em meio a tanta querência birrenta e cheia de vontade dessa minha vontade.

Acho até que ela inventou a palavra "meu" só pra colocar antes dos adjetivos fofos que meu coração espana a dor tem desempoeirado. É esse é o trabalho de todo dia desde que as covinhas do seu sorriso abriram a gaveta emperrada de frescurinhas. Aquelas frescurinhas miudinhas que eu falo pra você enquanto as borboletas dançam no meu estômago. Meu lindo, meu gatinho, meu amorzinho, meu chuchu... meu meu! Meu meu mais seu.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

A história da menina que não sabia amar




Amei.
Amei de forma tão bestial, tão imensa e tão estúpida que não tive dignidade de deixar você saber.
Me acovardei de jeito tão mesquinho e miserável, freando as tentativas das palavras se libertaram.
As reprimi vil e cruelmente.
Fui uma ditadora sórdida.
E o golpe foi contra mim mesma.
Atirei nas minhas próprias emoções, pensando ser a maneira mais branda de não sofrer.
Eis que hoje, mesmo deposta, torturo meu coração.
Porque ainda amo.
Continuo amando.
Para o meu desgosto, descontentamento, infortúnio, continuo amando.
Sigo desenganada.
Dada à condição de desejar que você saiba o quanto ainda amo.
Apesar de ser inútil, tarde, sem sentido nenhum.
Você não está mais para ouvir.
Não sente mais.
Você está longe. Só.
E eu só.