(A música... Cícero - Cecília e a Máquina)
Uma menina distraída de cabelos encaracolados que adorava se vestir de flores um dia encontrou um príncipe alado com sorriso de sol. Como se não houvesse noite, tudo que ela via era a luz daquele rapaz que, em pouco tempo, já estava a chamar de seu. Eles pertenciam um ao outro de um jeito simples. Iam juntos à feira, à padaria, ao mercado e ao céu. Naquela pequena cidade talvez não existissem companhias mais interessadas em si.
A tarde voltavam da vida no mundo e entravam no elevador do apartamento, ansiosos para se recolherem em seu universo particular. Certa vez encontraram um casal que iam para sexto andar - um moço de barba mal feita e uma moça de olhos profundos, de mão dadas. A menina abraçou seu príncipe protetor, perguntando-se mentalmente se o moço e a moça seriam tão felizes quanto ela e seu cavalheiro de asas. Ela olhou para o moço de relance. Ele, por sua vez, nem parecia tê-la notado.
A tarde voltavam da vida no mundo e entravam no elevador do apartamento, ansiosos para se recolherem em seu universo particular. Certa vez encontraram um casal que iam para sexto andar - um moço de barba mal feita e uma moça de olhos profundos, de mão dadas. A menina abraçou seu príncipe protetor, perguntando-se mentalmente se o moço e a moça seriam tão felizes quanto ela e seu cavalheiro de asas. Ela olhou para o moço de relance. Ele, por sua vez, nem parecia tê-la notado.
Ela não sabia, mas mesmo antes de o príncipe chegar, o moço de barba mal feita já deixava rastros quase imperceptíveis no caminho dela. Nas bagunças de rua, num show há 7 anos de uma banda, na porta da faculdade. Como um figurante que nunca chega perto da personagem principal. Mesmo porque ele já era protagonista de um filme do qual a menina do vestido de flor passava longe de estrelar.
A vida continuou, a menina de flor encantada pelo príncipe do sorriso de sol e o moço de barba mal feita com a amada moça de olhos profundos. Mas como todo verão chega ao fim, um dia as flores da menina amanheceram murchas porque o príncipe resolveu bater asas pra longe, deixando a alma da menina regada em lágrimas.
Agora sem seu jardim, a menina triste foi pra vida. Entrou no elevador e encontrou um velho desconhecido moço, de mãos soltas, ao lado de uma moça de olhos profundos e marejados. Sem ninguém para abraçar, pensou consigo mesma "será que são tão sozinhos quanto eu?" O moço parecia inerte à presença da menina sem flor, não menos apática, que nem percebera que já o havia visto antes.
A vida continuou continuando. A menina queria encontrar alguém, mas não queria ver ninguém. "Sai dessa! Vamos sair. Tem muita gente pra conhecer lá fora". Um amigo a convenceu. Ela foi de calça jeans porque ainda tinha os movimentos e a cabeça limitados. E com uma cara de susto reagiu a um sobressalto sentido de repente. Lá estava um moço de barba mal feita. Desajeitados e tímidos trocaram palavras, frases, sorrisos, telefone, sonhos e um sorvete. Estranhamente sentiram como se se conhecesse há longos anos, de outras vidas.
Outro dia entraram juntos naquele elevador com as mãos livres, que se esbarraram e não quiseram mais se soltar. Olharam para o lado como se não fosse com eles. A menina descobriu que também era uma figurante que deixava marcas quase invisíveis na estrada do moço. Ele ficou igualmente impressionado com tamanhas coincidências. Quantas vezes se viram e não se encontraram! Eles só não sabem ainda que coincidências não existem. E, cá entre nós, já sabemos a verdade por trás desse destino!
Hoje a menina vestiu o vestido de flor. Ela está no quarto, dormindo, provavelmente sonhando com a sorte de ter finalmente encontrado o príncipe, digo, o moço de barba mal feita que a observa dormir...

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