terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Bem-vindo e obrigada!


2015, você vai deixar saudades. É, sério mesmo! Você foi um bom ano. Emblemático. Os seus dias não foram monótonos como os de outros colegas seus. Nos seus dias eu fechei alguns ciclos marcantes e iniciei alguns outros extremamente importantes. Deletei o que precisava ser deletado e abri espaço para tudo de novo que viria. Eu terminei a faculdade, fiz minha colação de grau, consegui um trabalho na minha área. Estou super feliz na minha profissão. Você foi generoso! Deu tudo certo.
Conheci pessoas especiais e tive forças para terminar relações que não já não me faziam bem. Quanta coisa aconteceu! Me diverti tanto, estive mais perto da natureza, de Deus, do meu autoconhecimento. Ah, e como eu mudei nesses seus 12 meses! Minha estrutura óssea, meu rosto, minha voz, (infelizmente) meu metabolismo também. Admito, ainda estou tentando me adaptar a mim. Meus pensamentos mudaram, minhas preocupações, meus planos, projetos. Mas esse é um papo que eu tenho que bater com 2016, o seu colega que está chegando. 

É 2016, você tem a meta de continuar toda essa bem-aventurança do seu colega 2015. São tantos os meus planos que, você nem começou, e eu já te acho pequeno demais para tudo que preciso fazer. Pretendo trabalhar mais, organizar melhor nosso tempo. Juntar um dinheiro para realizar uns sonhos, viajar. Tenho que dar um jeito de manter meu corpo saudável, com as medidas no lugar. Essa é nossa missão mais complicada!!! Você nem chegou e eu já estou te sufocando, né? Mas relaxa, não se aflija com esse futuro. Só te peço que seja doce, ameno e agitado na medida. Que você seja sereno, seja louco e seja feliz... E, principalmente, que traga o amor. Um amor sutil, simples, delicado, que me deixe atordoada e bagunçada. Um amor que seja bom e, sobretudo, sincero. Bem-vindo 2016, seja lindo, coloca as malas aí no canto e não tenha pressa para ir embora. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Junto, separado, com circunflexo ou não?


Me diz por que você continua aqui. Por que mesmo distante sua presença continua aqui? Não precisa me falar mais nada, me diz apenas porque sua voz continua aqui. Por que entra ano e sai ano e nossos dias continuam aqui? Por que eu mudo meu cabelo e os seus fios continuam aqui? Por que conheço novos lugares e o seu mapa continua aqui? Por que experimento novas comidas e seu gosto continua aqui? Por que eu encontro pessoas distintas e seu rosto continua aqui? Por que leio livros diferentes todos os meses e suas linhas continuam aqui? Por que ouço músicas diversas e seus ouvidos continuam aqui? Por que eu organizo minha casa e sua bagunça continua aqui? Por que assisto a filmes que você não gosta e seus olhos continuam aqui? Por que escrevo textos que você não lê e suas palavras continuam aqui? Por que troco de perfume e seu cheiro continua aqui? Por que eu rasgo meus documentos e suas digitais continuam aqui? Por que esqueço minha assinatura e seu nome continua aqui? Por que ligo o ar condicionado e seu calor continua aqui? Por que quebro o celular na parede e seu número continua aqui? Por que resolvo beber leite e o seu café quentinho continua aqui? Por que me algemo e o movimento das suas mãos continua aqui? Por que se faz noite e sua luz continua aqui? Por que minhas lágrimas caem e seu sorriso continua aqui? Por que eu não durmo e seu pesadelo continua aqui? Por que eu mudo de mundo e seu universo continua aqui? Por que eu quase morro e sua vida continua aqui? Por que há tantos anos você se foi e seu tempo continua aqui?

domingo, 27 de dezembro de 2015

Feliz ano novo de novo!



Outra vez a história se repete... graças a Deus! Mais um ano envelhece e dá espaço para um outro, que está entusiasmado e bem disposto a dar mais 365 dias. Opa! 366!!!. Dar, assim, de graça. Gratuitamente para ser aproveitado. Chegou o momento de fazer a revisão de tudo que aconteceu no ano que passou. O que foi feito, o que ficou pra depois, quem conhecemos, quem deixamos, e sobretudo, é a hora de fazer as prospecções para o ano que vem.

Essa é uma mudança numérica poderosa. Causa furor, renova os ânimos, fortalece os sonhos, oxigena a vida. Mas não se engane, o ano novo não vai nos trazer um corpo magro se não levantarmos do sofá e encararmos a atividade física que temos prometido há anos. Não vai nos fazer mais felizes se não fizermos o que for necessário para alcançar a tal da felicidade. Ele também não vai realizar nossos maiores sonhos se não nos organizarmos e trabalharmos arduamente para isso. 

O ano novo nos dá os dias, nós decidimos o que fazer com eles. Desperdiçá-los não fará com que as coisas sejam diferentes e o final será o mesmo de sempre... a cena em que prometemos que "no ano passado eu não fiz, mas nesse ano eu vou...". O ano é novo e você vai continuar com as velhas atitudes que não surtiram resultados? É o momento de lapidar o que for bom, excluir o que não acrescenta, exceder as horas de paz, transbordar o amor e começar ciclos de realizações positivas para si e para o mundo. 

Bem-vindo 2016! 

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Ao mesmo Tempo de Gil e Caetano



Tempo, seja breve nos temporais
Mas tenha calma na sua hora
Passe devagar pra eu olhar a paisagem
Aqui é rápida a minha passagem
E eu não sei quanto de si tenho mais

Não me deixe contar seus segundos
Vá ligeiro seguir meu destino
Só não me devora nas suas entranhas
Me presenteia com suas façanhas
Enquanto crio e invento seus mundos

Siga, Tempo
Siga do jeito que lhe agradar
Mas seja brando em seu julgamento
As rugas também são cruéis
Por aqui somos todos seus réus
Até você decidir acabar.


Tempo Rei - Gilberto Gil


Oração ao Tempo - Caetano Veloso


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Sobre a importância de viver nossas tristezas


Esse é um texto que não traz nenhuma pretensão de explicar nada. Na verdade contem mais perguntas do que respostas. Se suscitar, porém, alguma reflexão já terá valido a pena escrevê-lo. Mais do que mais um texto sobre a importância de não medir esforços para alcançar o sucesso e a felicidade, quero comentar sobre a esquecida importância de vivenciar as nossas tristezas.

Inicialmente pode parecer um tanto estranho, visto que a sugestão que mais ouvimos é "deixa isso pra lá", "não chora", "pra que remoer as feridas?" Logo, a pergunta que ficar é: porque vivenciamos a alegria, a raiva, a paixão e abafamos a tristeza de todas as formas possíveis? Bem, tudo isso que citei são emoções. As emoções, por sua vez, dão cor à nossa vida. E porque não acrescentar contrastes? Por que no meio de toda aquarela de cores felizes não dar uma pincelada com uma tonalidade mais escura? É uma ideia um tanto provocativa, de fato. Porém nesse ponto chego à outra reflexão sobre um assunto que talvez careça de pensamentos mais profundos, a atual ditadura da felicidade.

Explico (apesar de ter dito que não explicaria nada)! Hoje estamos fadados à obrigação de sermos felizes. Não que a felicidade seja um fardo, mas a forma como tem sido exigida, provavelmente sim. A felicidade imposta em forma de notas, mercadorias, carros, celulares do ano por uma sociedade que massacra quem não tem condições de atingir o status ou simplesmente não quer compactuar com esse modelo, que nos impõe necessidades que não são nossas. E mais, coloca na nossa cabeça a necessidade de ter sempre um sorriso estampado na nossa cara, atribuindo as nossas lágrimas sentimentos de fraquezas, culpa. Como se derramá-las atestasse nossa incompetência para gerir nossas vidas.

A consequência de deixar no cantinho esquecido as angústias, os incômodos, os dissabores e as tristezas da vida é que um dia os espaços estarão todos ocupados. E quando isso transborda não sobram cantinhos para mais nada, nem para o que somos. Nos perdemos de nós mesmos. Felizmente existe quem nos ajude em todos esses momentos, quer seja um amigo, uma religião ou um profissional capacitado para tal. Tanto para dar suporte quando tomamos a decisão de encarar o que nos desagrada, de reconhecer nossos limites, como para quando já estamos submersos em coisas que nem sabemos nomear.

E você, tem fugido de si? Tem dado espaço para suas tristezas? Tem internalizado ideais de felicidade alheios ou tem construído os seus próprios?

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Raíz


Se houver uma próxima vida eu quero nascer flor para que um dia alguém como eu passe por mim e sorria como eu sorrio para sorrisos que nascem na terra. 

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Ínterim



Parei!
Pausa proposital nas palavras.
Não por falta de ideias, elas estavam borbulhando.
Talvez tenha sido por prudência.
Receio de registrar estragos, fins, passados.
Mas eu sou vírgula e não ponto final.
Por isso voltei.
As letras continuam a me cutucar
Querendo decifrar minha falta.
Eu volto pra organizar meu alfabeto
Que começa na letra A e termina no último suspiro.

domingo, 31 de maio de 2015

Contando perdas



(Skylar Grey - Beautiful Nightmare)

Não é só você que foi embora. Foram com você todos os sonhos, todos os planos que fiz nesses dias nos minutos antes de pegar no sono. Foram com você o desejo do vinho de sexta-feira a noite, das reuniões de sábado com nossos amigos no seu a.p, dos passeios de domingo no parque. Se foram as viagens que cogitei um dia curtir do seu lado. O friozinho e uma lareira no Sul, o calor no litoral do Nordeste, as descobertas na Europa, o romance numa gôndola em Veneza, o champanhe em algum réveillon em Paris, o piquenique em frente à Torre Eiffel, as férias das crianças na Disney.

Quem me dera se apenas você tivesse ido embora. Mas com você foi embora o projeto de um futuro. Foram com você o rostinho que imaginei que meus filhos teriam, as brincadeiras que nós dois faríamos com eles, a forma como nós dois conduziríamos os mimos e os limites. Foram junto a casa com jardim, o café da manhã pra você na cama, preparar seu prato preferido no almoço de fim de semana, sua bagunça no quarto. Foram embora também as sessões de cinema, você assistindo Amélie Poulain só porque é meu filme preferido, escutando música francesa só porque eu gosto, eu indo pra balada porque você adora, nós dois tomando café porque temos esse gosto em comum.

Você foi embora e foram com você as dificuldades que superaríamos. Foram com você os abraços de consolo, os beijos de alegria, as lágrimas de perdão. Se foram as histórias pros nossos netos de como nos conhecemos. Foram as fotos do nosso casamento, da formatura dos nossos filhos, a caixa velha de lembranças de um vida, as embalagens de presente, os objetos guardados, as coisas pequenas e significativas, o vestido de noiva e o guardanapo escrito "eu te amo". Foram as compras no supermercado, a reforma da nossa casa, a escolha dos móveis novos, o esforço pra economizar nos tempos de crise.

Se somente você tivesse ido embora não teria sido tão ruim. Mas você foi e foram junto seu sorriso, seu jeito de olhar, sua boca, seu cheiro, seu cabelo, seu corpo, suas roupas. Foram embora o tom da sua voz perto do meu ouvido, as músicas que ouviríamos juntos, os textos sobre nosso amor que te dedicaria  Se foram a forma como me tocava, seu jeito de andar, seu carinho, a saudade que eu sentia sabendo que você voltaria. Se foi tudo de você, minha kryptonita e meu melhor remédio. Não foi só você que foi embora, foi embora também a maior parte de mim.

Autobiografia


(Uma música pra não deixar de ouvir -> Dani Black - Deixar o barco ir)

Acho que se minha mãe tivesse dito a verdade sobre como é a vida de fato, eu não teria solicitado a minha saída daquele lugar tranquilo em que tinha tudo que precisava sem nenhum esforço. Não por escolha minha, mas por vontade de Deus, dos meus pais, do destino, enfim, eu nasci. E desde aquele glorioso feriado de uma sexta-feira de 1990, venho aprendendo esse negócio de vida. Desde aquele glorioso dia renasço todos os dias, querendo, às vezes, retornar àquele lugar do qual não me lembro, mas que sei que já estive.

Ouvi dizer que nos meus tempos de bebê muitas vezes eu tentei falar, fazer com que me entendessem, enquanto todos me olhavam como cara de bobos sem a mínima ideia do que eu estava dizendo. Que algumas vezes sentia dores que pareciam se alastrar pelo corpo inteiro e não era possível precisar onde começava, onde terminava. Disseram-me que em diversas ocasiões eu não alcancei objetos que queria e que inúmeras vezes caí tentando me manter de pé na caminhada. Contaram ainda que muitas vezes chorei de medo e pedi colo, mas que apesar de tudo isso todos os dias eu brincava e sorria como se cada dia fosse único e incomparável.

De nada me lembro daquela época, mas, pelo que sei do viver, desde aquele tempo eu já era forte. Ainda hoje passo por momentos em que sinto que não falo a mesma língua dos demais, tamanha é a sensação de incompreensão. Ainda hoje chego a sentir dores que devastam a alma, que doem no corpo todo, que chegam a enfraquecer. Tenho sonhos que parecem por demais difíceis e amores distantes que parecem fora do meu alcance. A caminhada às vezes é exigente demais, eu tropeço e caio. Choro de medo e preciso de colo muitas vezes. E sei como é custoso superar esses momentos. E apesar de tudo tento seguir com serenidade.

Desde aquele glorioso primeiro dia de vida venho praticando o verbo viver com toda propriedade de primeira pessoa. Desde aquele dia tenho aprendido a encontrar maneiras diferentes de me fazer entender. E mesmo que os outros não me compreendam, compreender-me e me aceitar já é uma grande conquista. Tenho aprendido que para toda dor aguda e lancinante há o amor crônico e incondicional dAquele que me criou. Que às vezes devo renunciar um desejo por que pode ser apenas capricho, mas que há um mundo de outras possibilidades para ser explorado. Tenho aprendido que quando a gente cai, a gente levanta e continua. Tenho aprendido que os medos sempre existirão e, felizmente, os colos também.

Hoje, pensando em todas as minhas lutas e vitórias, penso também que talvez tenha sido bom minha mãe não ter me contado a verdade sobre a vida quando eu ainda estava naquele lugarzinho passivo e seguro. Pois correríamos o risco, o mundo, ela e eu, de que eu me apressasse e quisesse começar a aventura antes do tempo!

Luto pelo amor que se foi


Porque se for por amor vale a pena lutar

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Memórias póstumas



Já passa das seis.

Daqui alguns minutos vai começar aquele instante em que o dia não é tarde e nem noite, é apenas um limbo que se abre aflorando uma sensação melancólica e, ao mesmo tempo, contemplativa. Era nesse delicado e profundo momento que eu me sentava na varanda e, ouvindo meu caos interior, aguardava o santo som da porta se abrindo, indicando que você acabara de chegar. Eram longos e inquietantes os ecos dos ponteiros do relógio. Sempre pareciam desorientados, às vezes lentos demais ou rápidos demais, repercutiam no silêncio a ansiedade que eles também sentiam - a ânsia para ouvir logo o tilintar das chaves no espaço entre a fechadura e mesa. Os ruídos do apartamento disputavam com os berros dentro de mim que, de tanto que queriam sair, silenciavam. Tantos pensamentos embriagados sobrepujavam minha lucidez, indicavam toda as direções para lugar nenhum e o corpo paralisava. E eu só ficava ali,

Cada piscar de olhos naquele instante indefinido era como um sonho - não passam de poucos segundos, mas duram a noite inteira. Minha falsa serenidade não conseguia enganar a tensão que consumia até meus pés descalços. O chão frio não amenizava a erupção do desejo de ouvir seus passos ritmados caminhando até o interruptor da sala para ligar a luz e poder ver com mais clareza o meu alívio pela sua chegada. Enquanto a penumbra da noite se fazia mais evidente, meus braços ensaiavam incansavelmente o abraço e o afago que lhe dariam. Minha boca - diferente dos braços - impulsiva e imprevisível - só aguardava e guardava milhões de surpresas para sua presença. A essa altura a lua já teria interrogado várias vezes se eu não me cansava do mesmo ritual diariamente. E a lua já teria ouvido inúmeras vezes que um dia eu roubaria você definitivamente para viajar comigo pelo céu. A lua ria. E eu continuava ali.

Quando mais próximo do fatal reencontro que apunhalaria num só golpe minha angústia saudosista, as paredes começavam a se derreter, aquelas que eu construí. Entre tantas incertezas, nenhuma dúvida. Nenhum titubear de pernas trêmulas me impediria de levantar da cadeira e me dirigir até você. Eu conseguiria, por mais frágil que pudesse transparecer. Não seria a primeira sexta-feira em que meu corpo passava por essa cerimônia. Porque por mais força que você me desse, o contraponto nunca deixaria de existir. Como uma boa proteção, você favorecia o meu equilíbrio, mostrando-me as polaridades. E era sempre no limbo do dia, quando a fenda das minhas fraquezas se abriam, ao invés de só amor, eu sentia tensão, que só se esvaia com a sua chegada trazendo a calma. Já perto das sete, quando o dia era noite, as ideias passavam ligeiramente. Eu já tinha inventado milhões de histórias, escrito livros e novelas, gravado discos, e depois de visitar muitos lugares, voltava para mim, para você poder me encontrar ali.


terça-feira, 14 de abril de 2015

Meu coração por um Phill



"Sabe o que que eu acho?
Vou dizer o que é que eu acho, senhores"

"Eu descobri a cura, meu antídoto"... a voz sossegada de Phill Veras!

"O coração suplica!!"

1. EP - Valsa e vapor (2012)


2. Gaveta (2013) 



3. Carpete (2014)

 Sorriso ao sono 

Falsa canção sã
Eu sim

Taquicardia

Meu vão
Cala

Canto

Fundo

"Sabe, tchurururu..." <3

segunda-feira, 13 de abril de 2015

"Bem-vindo ao que eu sou"



Eu sei que eu tô longe de ser a garota mais bonita que você tem ao seu dispôr. Nem tenho pretenções de ser e, menos ainda, de competir com alguma delas. A concorrência é, no mínimo, desleal e me recuso a pensar em você como um troféu de primeiro lugar que acaba empoeirado em cima da estante. 

Gosto de músicas que você nunca ouviu e nem faz questão, de filmes que você provavelmente não se interessaria em assistir, de amuletos que você possivelmente desconsidera. Não tenho nada que eu possa contar a meu favor. Nem o fato de que eu gosto tanto de você chega a ser um diferencial, já que tantas outras dizem exatamente isso também. 

Uso roupas confortáveis que não levam marcas de nomes famosos que você deve conhecer. Não uso perfumes caros, nem chapinha no cabelo. Adoro tomar café, na xícara ou no copo descartável mesmo. Nunca fui um exemplo de delicadeza e de princesa só tenho o nome. Não faço comida gourmet, mas sei fazer arroz soltinho e ovo frito. Não ligo pra restaurantes caros e acho cestas de piquiniques extremamente charmosas. 

Nunca fiz metade das coisas que você fez, nem estive nos lugares onde você esteve. Adoro parques, flores, árvores. Nunca deixei de tomar sorvete pra não engordar e é possível perceber no meu quilinho a mais. Escrevo textos e rabiscos pra ninguém, abro os braços pra sentir o vento, adoro cheiro de mato e rio sozinha quase todos os dias. 

Sem muitos prós e contras, com um óculos no rosto escondendo a timidez pra ninguém ver... 

Prazer, eu me atrevi a te querer.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

A menina do vestido de flor, o príncipe alado com sorriso de sol e o moço de barba mal feita



Uma menina distraída de cabelos encaracolados que adorava se vestir de flores um dia encontrou um príncipe alado com sorriso de sol. Como se não houvesse noite, tudo que ela via era a luz daquele rapaz que, em pouco tempo, já estava a chamar de seu. Eles pertenciam um ao outro de um jeito simples. Iam juntos à feira, à padaria, ao mercado e ao céu. Naquela pequena cidade talvez não existissem companhias mais interessadas em si.

A tarde voltavam da vida no mundo e entravam no elevador do apartamento, ansiosos para se recolherem em seu universo particular. Certa vez encontraram um casal que iam para sexto andar - um moço de barba mal feita e uma moça de olhos profundos, de mão dadas. A menina abraçou seu príncipe protetor, perguntando-se mentalmente se o moço e a moça seriam tão felizes quanto ela e seu cavalheiro de asas. Ela olhou para o moço de relance. Ele, por sua vez, nem parecia tê-la notado.

Ela não sabia, mas mesmo antes de o príncipe chegar, o moço de barba mal feita já deixava rastros quase imperceptíveis no caminho dela. Nas bagunças de rua, num show há 7 anos de uma banda, na porta da faculdade. Como um figurante que nunca chega perto da personagem principal. Mesmo porque ele já era protagonista de um filme do qual a menina do vestido de flor passava longe de estrelar.

A vida continuou, a menina de flor encantada pelo príncipe do sorriso de sol e o moço de barba mal feita com a amada moça de olhos profundos. Mas como todo verão chega ao fim, um dia as flores da menina amanheceram murchas porque o príncipe resolveu bater asas pra longe, deixando a alma da menina regada em lágrimas.

Agora sem seu jardim, a menina triste foi pra vida. Entrou no elevador e encontrou um velho desconhecido moço, de mãos soltas, ao lado de uma moça de olhos profundos e marejados. Sem ninguém para abraçar, pensou consigo mesma "será que são tão sozinhos quanto eu?" O moço parecia inerte à presença da menina sem flor, não menos apática, que nem percebera que já o havia visto antes.

A vida continuou continuando. A menina queria encontrar alguém, mas não queria ver ninguém. "Sai dessa! Vamos sair. Tem muita gente pra conhecer lá fora". Um amigo a convenceu. Ela foi de calça jeans porque ainda tinha os movimentos e a cabeça limitados. E com uma cara de susto reagiu a um sobressalto sentido de repente. Lá estava um moço de barba mal feita. Desajeitados e tímidos trocaram palavras, frases, sorrisos, telefone, sonhos e um sorvete. Estranhamente sentiram como se se conhecesse há longos anos, de outras vidas. 

Outro dia entraram juntos naquele elevador com as mãos livres, que se esbarraram e não quiseram mais se soltar. Olharam para o lado como se não fosse com eles. A menina descobriu que também era uma figurante que deixava marcas quase invisíveis na estrada do moço. Ele ficou igualmente impressionado com tamanhas coincidências. Quantas vezes se viram e não se encontraram! Eles só não sabem ainda que coincidências não existem. E, cá entre nós, já sabemos a verdade por trás desse destino!

Hoje a menina vestiu o vestido de flor. Ela está no quarto, dormindo, provavelmente sonhando com a sorte de ter finalmente encontrado o príncipe, digo, o moço de barba mal feita que a observa dormir...


quinta-feira, 2 de abril de 2015

segunda-feira, 30 de março de 2015

O sonho da noite passada



(Para ouvir sonhando ou vice-versa -> Café a dois - Ana Larousse)

Aquele momento em que a gente percebe que está guardando todas as melhores coisas de alguém, como na música da Ana. Coisas que não são palpáveis, mas que ocupam mais espaço que bugiganga em apartamento. Coisas que a gente não se esforça pra lembrar todo dia e nem lembra, mas que surgem quando nada tá esperando. Como um sonho. Como num sonho.
É quando a gente sente uma nostalgia profunda e meio triste. Uma saudade gostosa. Uma felicidade por poder se lembrar e uma melancolia por querer de volta tudo aquilo no presente de presente... embrulhado e com um laço bem grande. 
É como reler uma carta antiga guardada a sete envelopes na gaveta no final da tarde, tomando o café - ainda morno - feito de manhã. 
É a delicadeza e o saudosismo de um amor que foi e ainda é... Igual uma frase que ouvi um dia num desses shows da vida: "porque o amor pode partir mas, ainda assim, o amor fica". 

Falta


(Falta - Ana Cañas)

Não tem objeção
Não tem explicação
Não tem justificativa
Não tem contestação
Não tem acordo
Não tem discordância
Não tem oposição
Não tem porquê
Não tem razão
Não tem pretexto
Não tem motivo
Não tem motivação
Não tem causa
Não tem defesa
Não tem rejeição
Não tem desculpa
Não tem contradição
Não tem argumento
Não tem você
Não tem condição.

#associaçõeslivres
Aquele amontoado de palavras que não falam muito, mas sentem tudo.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Breve instante quase eterno



(A música -> Você me bagunça - O Teatro Mágico)

Eu não posso ser tão leviana a ponto de dizer, assim, que te amo. Seria uma grande imprudência profanar o amor desse modo desajuizado. O que sinto por você é agonia. Uma agonia transtornante que, de tão inquietante, me paralisa. Por isso não consigo fugir. Por isso eu fico aqui parada com essa cara agoniada, ensaiando movimentos em atos mentais, te olhando com esses olhos desabrigados. É por isso que minha mão peregrina, como que acordando de um estado de catatonia, atravessa tão vagarosamente o hiato entre a gente para repousar em seu rosto. Nesse toque brando uma febre desesperada se alastra e se torna senhora de mim.
Nesse breve instante quase eterno, com sofreguidão, minha boca se abre. E com os lábios entreabertos só consigo sussurrar… “Fica”. Nas entrelinhas desse pequeno verbo estão todos os meus segredos, todas as orações de antes de dormir, todas as orações escritas no caderno velho. Sabe, eu não posso dizer que te amo, mas preciso te pedir pra ficar. Não é que eu não seja capaz viver sem você, é que a falta ocuparia um espaço enorme. E quem gosta de espaços preenchidos com nada? 
Pode ser que eu não tenha muito a oferecer. Ainda nem posso dizer que te amo, mas já varri todos os restos de reminiscências dos amores e sofrimentos passados. A casa está pronta esperando você. E eu também não prometo te fazer feliz. Eu só prometo me apaixonar de novo, a cada piscar de olhos, por todos os seus detalhes - todos eles! A pintinha no seu rosto, seu jeito de andar, seu olhar pueril, doce. Até as suas loucuras e confusões que te tornam tão ímpar e singular. Tão ímpar e singular que rouba de mim uma pluralidade de sentimentos e sensações, usurpando minha (ilusória) calma. 
Tantas coisas passando pela minha cabeça, contrapondo minha paralisia momentânea, nesse breve instante, quase eterno, da minha mão tocando seu rosto. Seria tão mais fácil se você pudesse ouvir tudo sem eu ter que falar nada. Mas, olha, eu juro que essa minha fraqueza na voz não corresponde a minha vontade de que você fique. Fica porque eu gosto dessa agonia, eu gosto dessa febre, eu gosto desse embaraço, eu gosto de tudo em você. Fica! E desculpa se ainda é cedo e eu não posso dizer, mas eu...

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

La Délicatesse


(Trilha sonora: Emilie Simon - Bel Amour)

A gente sabe que conheceu alguém especial quando ama e admira tudo que essa pessoa é, mas principalmente quando ama e admira tudo que essa pessoa nos inspira a ser.
Alguém que nos faz ser melhor... Alguém que resgata a melhor versão de nós mesmos.



Esse é A Delicadeza do Amor... Um filme que me fez chorar e sorrir feliz por ter encontrado alguém especial, mesmo que ele não esteja aqui. Não importa! Porque ele foi, mas ficou.

La Délicatesse (2011), dirigido por David Foenkinos e Stéphane Foenkinos. Com a doce Audrey Tautou. Lindo e delicado como só o cinema francês sabe ser. 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Intuição


Eu sinto que minha ausência tem te machucado. Engraçado que um dia minha presença parecia incomodar. 
Eu sinto que suas mãos passam timidamente pelo seu rosto, tentando esconder as lágrimas que caem. As mesmas mãos que negaram carinho quando eu precisei.  
Eu sinto que essa distância tem te afligido e que você queria muito estar aqui agora. Mas quando eu toquei a campainha você fingiu que não estava em casa. 
Eu sinto, mesmo longe, que se fosse possível você voltaria no tempo e faria diferente. Só que eu te dei aquele tempo de que precisava quando pediu, lembra?
Eu sinto que a saudade que você sente é lancinante. E acredite, eu também sei o que é sentir saudade assim.
Eu sinto que hoje sua vida está um retrato em pb. Mas quando eu quis tirar fotos com contrastes intensos do seu lado, você disse que o filme tinha acabado.
Eu sinto que você quer voltar e eu sinto…
Eu sinto muito! Porque hoje eu tô na balada curtindo, dançando, bebendo e beijando aquele seu amigo que você pediu pra me aconselhar a te esquecer. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Bloco de notas


Você pode avisar a ele que hoje eu vou preparar o jantar? Diga que o convite dele para aquela festa tá guardado. Diz que eu vou usar aquele vestido azul que ele adora e fala também que eu já peguei o terno dele na lavanderia. Avisa que eu comprei as passagens pra Floripa. A viagem é dia 17 do mês que vem e o voo tá marcado pras 9. O hotel já está pago. 
Pede pra ele anotar na agenda que na próxima sexta é aniversário do Luiz e a gente não pode perder. Vamos no meu carro, se ele quiser. Por favor, não deixa ele se esquecer também que nesse sábado é a estreia daquela peça de teatro que eu quero muito assistir. Consegui entradas VIP. 
Diz que eu paguei as contas esse mês e que eu comprei um presente pra ele com um dinheiro que sobrou. Conte que terminei de ler o livro do Bukowski e que quero um indicação de outra boa leitura. Fala que naquele café perto do meu trabalho tá vendendo uma torta alemã deliciosa e podemos passar lá na quinta por volta das 19. 
Não o deixe esquecer de sair 15 minutos mais cedo amanhã porque precisamos retirar os ingressos do cinema. Diz pra ele comprar o melhor vinho que tiver no mercado que eu vou levar o cd do Miles Daves pra gente curtir na casa dele depois do filme.
Anotou tudo? 
Tem só mais uma coisa.
Ontem fez 1 ano, 3 meses e 14 dias que ele saiu e não apareceu mais por aqui, então avisa que eu ainda moro no mesmo endereço, apartamento 503. Fala pra ele me ligar quando estiver chegando porque ele esqueceu a chave dele comigo. E diz que ele não pode faltar porque hoje eu vou preparar o jantar. 

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

50 tons de... digo, 50 planos para 2015


1. Arrumar um trabalho.
2. Ter uma renda, além das que eu tenho nas roupas.
3. Destruir o diário (já comecei).
4. Escrever um livro.
5. Saltar de paraquedas.
6. Fazer um mochilão na América do Sul.
7. Ir mais ao cinema (conforme aconselhou aquele locutor do Telecine).
8. Ganhar na mega da virada.
9. Gravar um disco com músicas tradicionais da Finlândia.
10. Comprar a discografia completa dos Beatles.
11. Fazer um piquenique em frente à Torre Eiffel.
12. Ir à Disney e dizer ao Pateta que ele é meu personagem preferido.
13. Ganhar o campeonato nacional de matadores de mosca (odeio mosca, Raul).
14. Conseguir correr mais de 15 minutos.
15. Ir a Caldas Novas (cara, eu sou a única brasiliense que nunca foi a Caldas Novas!).
16. Conhecer pelo menos uma pessoa todo mês.
17. Manter as velhas amizades.
18. Escalar o Everest e fazer bolinhas de sabão lá em cima.
19. Comprar um carro... Não, um ônibus. Não... Um avião!
20. Tomar o chá das cinco com a rainha Elizabeth.
21. Ser entrevistada pelo Jô.
22. Fazer compras com a minha mãe (e eu pagar!!!)
23. Entrar de penetra em algum evento.
24. Conhecer o mar.
25. Fazer um anjinho de neve em Bariloche.
26. Assistir a uma ópera (eu adoro ópera)!!!!!
27. Trazer um caribeño muy guapo que vou conhecer em uma das viagens para o Caribe.
28. Comer menos no Natal.
29. Valorizar ainda mais as pessoas que merecem.
30. Ir pra balada com a Britney Spears.
31. Fazer um bom trabalho.
32. Participar do próximo filme do Woody Allen (ele deve estar preparando algo pra esse ano).
33. Aprender novos truques na cozinha (tipo fritar o ovo e deixar a gema mole sem estourar).
34. Ignorar algumas pessoas que merecem.
35. Ouvir mais, muito mais.
36. Passear mais no parque.
37. Praticar sempre a arte do sarcasmo e da ironia (vide melhor amiga, Lindy Xavier)
38. Provar que Michael Jackson não morreu.
39. Escrever uma carta para alguém de Portugal.
40. Fazer uma descoberta que vai mudar o mundo.
41. Cantar com o Roberto Carlos no próximo especial de Natal da Globo.
42. Tomar banho de chuva (tradição).
43. Continuar escrevendo no meu blog porque eu amo.
44. Ser uma mulher fina e elegante... Tá, elegante (pra finesa preciso emagrecer uns quilinhos).
45. Ler um livro todo mês.
46. Comprar "As Crônicas de Nárnia" pra devolver o livro da Ana.
47. Tirar esse aparelho impertinente dos meus dentes.
48. Começar minha coleção de óculos.
49. Começar minha coleção de dvds de filmes.
50. Não ligar o despertador para parar com esses sonhos mirabolantes.

Posso até não conseguir realizar todos eles... Mas vai ser divertido tentar!!!

2015... Eu sou do mundo e o mundo é meu!




Novo ano.
Projetos novos.
Anseios de sempre.

Ano passado me retirei, estudei.
Nesse ano quero trabalhar muito.
Quero colocar em prática tudo que aprendi na faculdade e iniciar uma especialização.
Quero reafirmar a cada momento a minha paixão pela minha profissão.

Ano passado fiz coisas lindas e especiais.
Nesse ano quero fazer coisas mais especiais ainda.
Quero escrever um livro (outro).
Quero fazer surpresas, ser a surpresa e ser surpreendida.

Ano passado eu fiquei reclusa, foi o fechamento de um ciclo.
Nesse ano um novo ciclo começa.
Quero, com urgência, me jogar no mundo, curtir, dançar.
Quero conhecer o que ainda não conheço e ver o que ainda não vi.

Ano passado eu fiquei boba porque amei.
Nesse ano eu quero continuar amando.
Quero amar de novo.
Quero amar mais.
Quero amar sempre.
Quero amar muito.
Quero amar voraz e loucamente.

Porque amando eu fico boba. Amando eu fico livre. Amando eu fico eu.
Amando eu sou do mundo... e o mundo é meu!

É isso:
Novo ano.
Projetos novos.
Anseios de sempre.