quarta-feira, 23 de agosto de 2023

É só coisa da minha cabeça...

(Reggaeton Triste - Manu Gavassi)

Você estava ali, como quem não quer nada. E talvez nada quisesse mesmo. A vida era só aquilo, aquele momento. Uma conversa leve e boa ritmada pelo seu tom de voz estável e ameno. Uma distância incoveniente entre nossos corpos que era diminuída por milésimos de segundos de flertes inocentes pelo olhar. Às vezes sinto que você também sente um lampejo de frio na barriga que dura tão pouco que quase não dá pra perceber. Mas que quando é sentido se transforma numa fagulha de calor. 

Conversas com você são sempre tão enriquecedoras. Nossas ideias se encaixam de um jeito fluido e natural. Porém, confesso que gostaria de estar vivenciando sua presença de formas diferentes. Experimentar uma comunicação em outro nível. Um diálogo de corpos que se encaixam de um jeito fluido e natural. 

Desejos velados por flertes inocentes demandam lugares secretos compartilhados a dois. Certos lugares são um convite para findar distâncias inconvenientes. Seria deliciosamente agradável conhecer alguns deles com você. Poderíamos divagar sobre o tempo e as mudanças da sensação térmica que, curiosamente, aumenta a medida que as roupas caem no chão. 

Eu tenho o hobbie de procurar maneiras de executar as situações que já estão criadas na minha cabeça. Gosto de pensar que a qualquer passo a gente vai se esbarrar e depois de um café, eu vá direto pra sua boca. Há uma chance não ser bom? De acordo com a realidade, sim. Vamos nos permitir descobrir?! 


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Onde moram as certezas?


(What Was I Made For? - Billie Eilish)

Parece que todos os indícios apontam para apenas um fato e eu... Eu me esforço para fazer o caminho inverso. Aquela velha tentativa de nadar contra a maré, com o agravante de que não são apenas ondas seguindo o fluxo cotidiano natural, é um tsunami que pode mudar todo o curso da minha vida. 

Às vezes é tão difícil lidar com o fardo da liberdade das minhas escolhas. Cada uma delas envolve perdas que eu não quero ter. E isso soa tão egoísta e infantil que chego a me assustar comigo mesma. Não sei o porquê de tanta dedicação em suprimir minha intuição, meu coração que, volta e meia, se vê procurando pequenas recompensas para preencher o eco dentro dele. 

Eu queria estar mais feliz. Eu merecia estar mais feliz. Peço a Deus com tanta veemência essa pontada de alegria flamejante, com a urgência de quem sente que está prestes a partir e nunca mais voltar. Sinto medo de partir de mim mesma, de me perder só pra que outra pessoa supostamente se encontre. 

Por outro lado é estranho pensar em largar tudo e deixar o outro ir. Estranho, porém o justo, talvez. Será que sentir dúvida já é a resposta? Será que o próximo passo é não dar o próximo passo? Onde moram as certezas?