terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Le fabuleux destin d'Amélie Poulain


Ela é uma menina.
Na verdade já é uma mulher, mas com o sorriso delicado de menina.
Com a alma brincalhona de menina.
O olhar é um pouco perdido, ás vezes vazio, como das mulheres grandes.
Mas os sonhos são de menina.
A criatividade para mudar o mundo é de menina.
A solidão desconcertante é de mulher.
A imaginação maluca é de menina.
As fantasias fantásticas são de menina.
Mas a maturidade de compreender os outros é de mulher.
Toda a ingenuidade é de menina.
O rosto bravo para as pessoas malvadas é de menina.
O coração independente é de mulher.
As traquinagens são de menina... e de menina levada.
A presença leve e um tanto graciosa é de menina.
A simplicidade e singeleza são de mulher.
O amor que ela emana é de menina...
Não, é de mulher...
O amor me confunde!
Não sei se ela já é menina ou se ainda é mulher.
E deve ser bem por isso que ela é fabulosa...
...assim como o fabuloso destino dela!

Inspirado na minha personagem preferida, Amélie. Bobinho como ela!
Le fabuleux destin d'Amélie Poulain é um dos filmes mais delicados que já vi. Ótima direção de Jean-Pierre Jeunet e a fotografia genial de Bruno Delbonnel. Lindo, como só o cinema francês sabe ser. E com a atuação da doce Audrey Tautou, minha atriz favorita. Com a trilha sonora perfeita de Yann Tiersen. Um filme fabuloso (até no nome). E como me identifico com a peculiar Amélie!



segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Psicolouca!


Já quis ser tantas coisas nessa vida. Aos 5 sonhava em ser cantora de ópera. Fiz várias apresentações no sofá da minha casa. Achava encantador ouvir as cantoras de ópera (e ainda acho). Mas a afinação lírica não era bem o meu forte. Então, continuei a carreira no mundo da música erudita, mas dessa vez como instrumentista. Na verdade, eu queria muito tocar violino e cheguei a reger algumas orquestras da televisão com uma batuta imaginária. Também toquei um piano invisível com “a Moça” (era o Mozart, mas só descobri que era esse o nome anos depois. Na época eu entendia ‘Moça’). 
Vista toda a dificuldade do mundo musical, um ano depois, ao 6, enveredei-me para as artes plásticas. Pintei várias obras com sensibilidade de uma artista nata. Minha especialidade eram as pinturas abstratas com tinta guache em papel A4. Tinha um estilo muito particular de trabalhar com os dedos, de olhos fechados. Minhas exposições no varal de roupas foram um sucesso! Minha mãe marcou presença em todas. Em paralelo às artes plásticas, aventurava-me na dramaticidade. Eu recitava as poesias infantis da Cecília Meireles com interpretações comoventes dignas das divas do cinema. Um talento teatral incontestável. Essas carreiras também duraram pouco e eu não parava de crescer. 
Já maiorzinha, com cerca de 9 ou 10, fui um tanto contaminada pela sociedade capitalista e sonhei em ser uma empresária com muitas ações para ficar gritando loucamente naquele prédio onde todo mundo grita (Wall Street). Alguns anos depois quis ser cantora de rock e, mais tarde, quis cantar MPB. Aos 13 quis ser escritora. Aos 14 realizei o sonho de ser musicista e toquei em uma orquestra. Isso durou até os meus 19. E eu fui extremamente feliz durante esses anos. Mas nesse meio tempo, acho que com uns 15 ou 16, interessei-me pela Psicologia. Fui pesquisando, pesquisando e pesquisando e meu interesse só aumentava. Até que ser psicóloga se tornou meu sonho. 
E fui trabalhando nesse sonho. Foram muitos finais de semana em que disse não para os meus amigos porque precisava estudar. Foram muitas manhãs, tardes e noites de portas fechadas no quarto para poder ter uma chance de passar no vestibular. Fiz as provas e aguardei, ansiosamente pelos resultados. Até que o fim da espera chegou. Era 13 de fevereiro de 2010, por volta de 00:15, quando uma bolinha verde me fez feliz. Eu consegui bolsa integral na faculdade para estudar Psicologia. Era o meu sonho que estava sendo realizado, desde o instante em que decidi lutar por ele. 
Cada etapa concluída foi uma conquista para chegar até aqui.
Tudo que um dia eu quis ser faz parte de mim, faz música dentro de mim. Mas foi a Psicologia que me tirou para dançar. E eu quero ser um bom par. 
Hoje eu sou cantora. Canto embaixo do chuveiro, na sala, no karaokê com minha amiga. 
Hoje eu sou escritora. Escrevo no meu blog para mim mesma, escrevo nas agendas velhas. Já escrevi até livro para presentear alguém especial. 
Hoje eu sou artista plástica, sou musicista, sou atriz porque o meu coração é tudo isso.

Hoje estou até me arriscando na cozinha (e vou pro Masterchef! haha)
Hoje eu continuo sonhadora como sempre fui (acho que desde antes de nascer)! 

E hoje, sobretudo, eu sou psicóloga. 
Estou feliz pelas escolhas que fiz e, principalmente, por ter sido escolhida por essa profissão que tanto amo.
Gratidão a Deus por absolutamente tudo que sou/estou hoje!!!

Juramento sagrado



(Música do dia: Máquina do Tempo - Aggeu) 

Se arrependimento matasse, eu estaria definhando. Na semana passada, revendo fotos e relembrando fatos com a Lindy (minha melhor amiga), resolvemos ler nossos devaneios. Caramba! Demos muita risada das bobagens que ela escreveu um dia. E em mim bateu o imenso arrependimento de ter jogado meus cadernos de texto no lixo, de ter excluído meu primeiro blog, Queria tanto poder voltar no tempo e não fazer essa idiotice. 
Quanta demência! Eu me desfiz do meu maior tesouro e hoje eu sinto vontade de chorar porque parece que eu me neguei. Neguei o que era meu, o que era sincero. 
Tudo começou por volta dos meus 12 anos, quando escrever no meu caderninho era a única coisa que me distraía e me fazia esquecer toda turbulência pela qual eu passava naquela época. Foi então que percebi nas palavras um porto seguro. Escrevia sempre que eu sentia vontade. No shopping, na praça de alimentação, na escola, embaixo das árvores, atrás das pilastras. Se eu  não tivesse feito a besteira de deletar tudo, teria o acervo mais rico da minha vida. Não que eu seja uma escritora fodástica, longe disso, mas eram minhas produções. E só hoje reconheço o valor inenarrável de tudo aquilo. 
Por isso, aqui e agora prometo que nunca mais vou me desfazer dos meus escritos, por mais idiotas que pareçam ser. 
E para me lembrar disso, um textinho meu (um desabafo, na verdade) de sei lá quando que a Lindy guardou. 

"Tudo tão sem sentido. Por que tem que ser assim? Nâo seria mais fácil ser tudo perfeito e então continuaria tudo colorido no meu mundinho? Eu não sabia que doeria tanto! Por que logo comigo? Sempre tão sonhadora, tão ingênua, tão crente que encontraria em você alguém pra mudar a minha cabecinha doida!

Como as coisas mudam... Isso me assusta! Por que aprender da forma mais cruel, mais desumana? Você se mostrou com palavras e eu vi a verdade em seus atos. E agora todas palavras voaram com o meu sonho. Não entendo por que é tudo tão complicado! Realmente não tinha como dar certo. Você é tão indeciso, tão cheio de dúvidas. E eu? Eu mais ainda! 
Eu preciso de alguém que me dê força e não que me tire força. Eu preciso de alguém que enxugue as minhas lágrimas e não que as façam cair. Eu preciso de alguém que me ame de verdade, sem mentiras, sem máscaras, sem falsidade. Preciso de uma saída, uma rota de fuga pra tudo. 

Fugir... Fugir do mundo, fugir de você, fugir de mim....  Me esconder. É essa a melhor opção? Eu sei que não, mas sinceramente eu não sei de mais nada. Nada, é tudo que eu quero... Nada!"

Sem muita preocupação léxica, mas extremamente verdadeiro!
Aahhhh... Queria poder resgatar todos!! Abrir uma portinha no meu cérebro e ver se estão arquivados lá... 

"Quero voltar... Entrar na máquina do tempo é só ilusão, eu sei."  

domingo, 28 de dezembro de 2014

Carnificina


O tempo correndo feito louco e eu aqui com um mundo de coisas pra fazer. Certa vez ouvi dizer que aquela velha desculpa do “não tenho tempo” não vale de nada. Me disseram que todos temos 24 horas diárias. O que priorizar nessas 24 horas somente nós mesmos podemos decidir. Engraçado que, falando desse jeito, parece tudo tão simples. Como se fosse uma prioridade minha pensar em você. Eu odeio pensar em você quase 100% do meu dia. Ainda que ele tivesse 32 horas, seriam 1920 minutos pensando em você. É ridículo. E eu detesto essa vontade insana de falar contigo - humilhação a que me sujeito por seis dias e meio durante a semana. É tão degradante reconhecer que nos 355 dias do ano em que está longe de mim, você usa outras dezenas de mulheres da mesma forma, ou mais intensamente, que me usou nos míseros 10 dias em que tive sei lá o que da sua presença. 

Me joga fora desse lixo de relação que você me submete. Me joga fora porque eu não consigo sair com meus próprios pés. Eu já dispensei todos os conselhos e livros de auto-ajuda. Eu não preciso de carrascos, já faço esse trabalho muito bem feito, obrigada. Você realmente acha que eu te adoro tanto só porque mandei 47 mensagens em 45 minutos, né? Na verdade, eu queria mesmo era te dizer pra não vir. Pra não aparecer aqui nos próximos 50 anos. Pra ficar bem longe. E que se você insistir em vir, vou adorar cuspir na sua cara e te dar um chute entre as pernas só pra te ver caído, ultrajante, do jeito que você me deixa quando mistura sua saliva na minha. Ah! Como eu gostaria de te ver rastejando, mendigando pra eu te soltar das minhas amarras. Mas eu sou tão estúpida que quando você vem, são menos de 3 segundos pra eu esquecer tudo isso e enfiar minha língua na sua boca. E é nesse beijo inebriante e desesperado que eu tento tirar sua essência pra mim. É nesse beijo sufocante, quase violento, que eu planejo em 1 segundo sugar toda sua força. A força que me falta pra te negar, pra eu me deixar ir embora. 

Me despreza definitivamente, sem rodeios! Não bastou transformar minha vida em uma sequência de domingos e segundas? Pensa em mim ao menos uma vez e diz logo que não me quer, que eu não sirvo pra você, que enjoou do meu gosto, da minha pele. Fala sem medo que pra você tanto faz se eu te odeio ou não, que eu nunca fiz parte do seu mundo, nem como um brinquedo. Não demora. Me joga fora, por favor. Acaba com isso. Não é preciso mais que 5 minutos. Eu tenho muita coisa pra fazer. Me libera pra te esquecer. 

26 de maio de 2014

sábado, 27 de dezembro de 2014

(In)consciente



Verdades, assim como as mentiras, têm o poder de acabar com alguém.

Não é à toa que nosso próprio ego encontra mecanismos que bloqueiam certas verdades de nós mesmo. E elas ficam lá, guardadas em um lugar secreto, obscuro, inacessível… Um buraco negro cheio de segredos. Se soubéssemos de todos os pormenores de nosso mundo as consequências seriam tão avassaladoras que não caberiam no racional. Sim, a loucura pode ser fruto do contato completo de alguém consigo mesmo. 

Ser humano: auto-suficiente… auto-destrutivo. 

Devaneios durante uma aula de psicanálise, datados de 2012. 

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Ela só queria ser sexy


Era uma daquelas mulheres de cabelos compridos, muitas ocupações e vários tropeços pela vida (literalmente!). Dona de uma alma multicolorida e de um coração altamente derretível. Através dos óculos anti-reflexo podia-se ver sutilmente refletida a essência que carregava nos olhos… A essência de acreditar que o mundo poderia ser seu. Mas não se conformava com o fato de que, às vezes, pediam-lhe a identidade para entrar no sex shop. Como no auge dos seus 20 anos ainda ter essa carinha de menina? Mirou, então, um novo alvo: Ela queria ser uma mulher notavelmente poderosa e devastadoramente sexy. 

E com a determinação de sempre foi atrás da “injeção” de que precisava. Pesquisou em vários “manuais” das mulheres poderosas, listou os trejeitos das mulheres sexys e começou a busca desenfreada pelo ideal imposto por essa sociedade perversa. Logo providenciou a chapinha e tornou-se dela uma súdita. Não suportava a ideia de fazer as unhas toda semana, mas sujeitava-se a isso pois sabia que era apenas um dos meios para se chegar ao fim. E a cada nova cor nas unhas, era uma cor a menos naquela alma multicolorida. A cada movimento sistematicamente previsto um pouco do brilho do espírito livre se deslocava para os cabelos agressivamente lisos. 

Tentava todos os dias equilibrar-se no salto, enquanto seu ego caia da autenticidade para uma invenção estereotipada. E nos momentos em que surgia um raio de espontaneidade através de um sorriso largo e despreocupado, logo pensava “foco!” e os movimentos robotizados tenebrosamente retornavam. Deparava-se a todo instante com um alguém estranho a quem ela se referia em primeira pessoa. Um eu que ela não reconhecia. Percebeu que por trás dos óculos não se via mais a essência que outrora a enchia de energia. Sentiu, então, a súbita ânsia de encontrar o caminho de volta pra si e, quem sabe, achar a leveza que fugiu sem deixar rastros. 

Deixou de querer ser sexy pra ser ela mesma. Desceu do salto e assumiu a rasteirinha com aquele vestidinho solto que ela adora. Anda distraída, às vezes tropeça, mas nada lhe tira a leveza de estar de acordo com sua verdade. Pinta as unhas e o rosto quando sente vontade, mas colore o mundo com a áurea iluminada e as gargalhadas autênticas. As ondas dos cabelos agora dançam harmoniosamente, soltas no ar. Não liga se tem carinha de menina, porque sabe que dentro dela há uma mulher muito melhor que as vãs rotulações podem supor. Ela se deparou novamente com a avassaladora sensação de ser livre! E há quem diga que isso a torna peculiarmente… sexy 

#autobriografia
7 de outubro de 2012

Nota de agradecimento ao Sr. Noel



Nunca fui muito ligada nesse negócio de Natal. Nunca escrevi para o Papai Noel, nem montei árvores e muito menos ganhei presentes. Sempre foi, para mim, uma data como outra qualquer em que as pessoas comem exacerbadamente, gastam o suado dinheiro numa jogada capitalista para o aumento de consumo e, o pior, nesse período o nível de hipocrisia é relativamente maior. E não é que eu seja uma pessoa desacreditada da vida, só acho que o amor, a solidariedade, a gratidão e todas as outras coisas do “espírito natalino” deveriam ser cultivadas durante todo o ano e não apenas em um só dia.

Enfim, o fato é que a vida é mesmo uma caixinha de surpresas… de todos os tipos! E para o meu espanto, o velho Noel se cansou de esperar minha carta e resolveu me presentear espontaneamente. Talvez ele já estivesse de saco cheio com tanta indiferença! Com o anseio de me deixar estupefata, ele preparou com todo zelo e primor o meu presente. E ansioso pelo reconhecimento, nem esperou a data “certa” para fazer a entrega!

O meu presente “surgiu” de repente! Emergiu dos sonhos envolto por palavras e vírgulas e sons e poesia. Ele também é filho da Lua e, assim como ela, reflete o brilho do sol no encanto do sorriso. E quando ele fala da vida, do mundo, de si, dá para sentir a energia de todos os elementos da natureza que estão reunidos em seus olhos. Ele é constituído por todas as coisas boas que existem (incluindo marshmallow e chocolate!). E por incrível que pareça, ele apareceu pedindo ajuda. Mas mal sabe que foi ele que me ajudou a perceber e reviver “coisas” que há um tempo estavam anestesiadas, dormentes, “esquecidas”. Ele me levou mais perto de mim.

O meu presente não custou dinheiro. O meu presente é consequência de experiências vividas, dos amores perdidos, das esperanças renovadas, dos choros, soluços, sorrisos… Tudo isso contribuiu para que ele chegasse aqui. Mas, okay, Sr. Noel, sob efeito de todo meu fascínio, te dou os créditos do meu lindo (e merecido) presente mágico de natal.

Para Diogo, o presente de natal. 
Escrito em 24 de dezembro de 2012

domingo, 9 de março de 2014

A última dança


(Acima do Sol - Skank)

Chegou o instante inevitável, nossa derradeira hora. Acabou a bateria do nosso relógio. Já não ouço mais as batidas aceleradas apressando minha calma. Os últimos grãos da nossa ampulheta logo cairão e nenhum de nós dois temos a audácia para virá-lá novamente. Então, chega mais perto de mim e vamos valsear nosso adeus.

Pode deixar o rádio baixinho. Não quero nada sobrepondo a fraqueza da minha voz falando pra você todas as tolices que pensei, escrevi e ensaiei. Não quero nada sobrepondo seus sussurros explicando os porquês de não... Durante todo esse tempo te deixei me conduzir e você, sem tato, insensível, nem percebeu. Tropeçamos tanto um no outro. Essa é nossa ultima dança. Vamos nos esforçar para acertarmos o passo dessa vez.

Como você pode agora me pedir pra que eu não te deixe? Não sou eu que estou te deixando, é você que nunca ficou. Nunca quis ficar. Nunca quis estar aqui do meu lado. Eu simplesmente estava te esperando. Te esperei. Esperei você fazer morada enquanto me contentava de bom grado com suas amostras grátis de carinho. Agora decidi não esperar mais.

Quem disse que despedidas precisam ser ruins? Vamos dançar, rodar, desafinar, sorrir. Sempre brincamos assim. Não se lamente por ter perdido seu plano B. O disco acabou - efêmero como nós dois - e eu não quero voltar porque, sabe... Foi com você mesmo que eu aprendi a voar. 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O poeminha bobo que não sabe rimar



Queria fazer um poeminha
Daqueles que rimam, entende?
E oferecê-lo ao meu amor
Que de tão contente
Num único sorriso 
Deixaria esse mundo todo com mais cor
Como se fosse uma flor
que só bem-me-quer.
Mas boa de rima eu não sou
Então, meu amor, se contente! 
A sua rima escapou
Como as pétalas da flor 
num mal-me-quer de um vento intransigente
Mas me traz seu sorriso de presente 
Eu não prometo rimas num poema comovente…
Porque poemas eu não sei fazer
Então o que, sinceramente, posso lhe dizer
É que gosto de você e meu carinho é todo seu!

Para Natércia, que sabe fazer rimas!

sábado, 25 de janeiro de 2014

Sobre provas de amor


(Cuecas e Calcinhas - Alexandre Nero)

Antes de começar, peço licença - a poética.

Agora sim.

"Me dá uma prova de amor?"
Uma frase que apesar de comum, me causa estranhamento. Não cabe na minha cabeça que o amor precise de provas. O amor é fato e sabe disso, sem crises existenciais. Mas vem essa mania cientificista dos humanos de querer provas de tudo e põe em xeque a maior beleza do amor: de ser, simplesmente porque é. Gostaria de estender um pouco mais o texto, porém, a ideia única e fundamental já foi expressa.

Mas se você insistir na proposta das provas de amor, tenho algumas dicas e posso compartilhar. Primeiro você pode pedir a ele para dividir o sorvete, do pote mesmo (tomar sorvete direto do pote é mais gostoso). E que tal dividir o mesmo copo de cerveja na sexta a noite e depois da cerveja solicitar gentilmente que ele fique mais um pouco? Vai lá! Peça uma prova de amor e pergunte se ele topa te ajudar a preparar um jantar gourmet especial pra vocês dois. Pode ser Yakisoba ou aquele macarrão com salsicha maravilhoso que você sabe fazer, ou ainda arroz, feijão e ovo frito (ele pode fritar o ovo!). E depois desse jantar refinado, fala, como quem não quer nada, que gostaria que ele dormisse contigo nesse sábado, porque nada te deixa mais feliz do que acordar ao lado dele num domingo.

Precisa de mais? Tem outra ótima: sugira a ele que todo mês vocês separem um dia pra caminharem no fim de tarde e mais a noite irem ao café preferido. Tomar banho juntos é uma boa pedida, com massagem pós-banho melhor ainda e com carinho pós-massagem… hum! Não há quem resista. Despretensiosamente, diga a ele que seria legal demais assistir a um filme água com açúcar e comer pipoca juntos. Ou sei lá, jurar que precisa muito viajar com ele no final do ano pra aquele lugar que você quer muito conhecer. Não é nenhum absurdo pedi-lo que acompanhe seu ritmo durante a corrida e até que ele te acompanhe um dia na aula de Yoga. Vai que ele aceita te dar essa prova de amor.

Não, eu não me contento com pouco. É que grandes acontecimentos ocorrem esporadicamente e o amor… O amor é construído e fortalecido no dia-a-dia, na rotina. Sim, na rotina! Datas especiais, presentes surpresas, flores, chocolates são mesmo uma delícia, mas se o seu amor te aceita com todas as suas marcas e características (que as vezes nem você gosta) ele deve merecer um pouco de crédito da sua parte. Um amor que precisa de provas? Repense! O amor não se acha, ele tem certeza.

Dispenso a licença poética.
Amor a gente sente e fala… nessa ordem.

P.S.: Perdão, o texto se estendeu além do esperado!

Monólogo


(Good Bye My Lover - James Blunt)

É, acho que eu sou cara de pau mesmo. Você deve ter percebido pela minha audácia nas indiretas… bem diretas quando a gente se conheceu.
"Hey, você é tão… interessante!"
"Hey, gostei de você naquele momento em que te vi sentado naquela mesa, bebendo cerveja."
"Lembra que eu te dei um boa noite? Pois é, eu pensei em dizer ‘vamos fugir daqui, só você e eu?’"
"Hey, essa sua boca, seu cabelo, seus olhos, esse seu olhar, esse seu jeito, seu tudo… me deixa pirada!"
"Quero você!"
"Quero te ver…"

Uma dia…
Uma noite… Um luar, um sorriso, o beijo, a entrega
"Hoje você é meu!"
"Hey, adorei tudo que a gente fez. O carro, o vidro embassado e…"
"Pra onde a gente foge hoje?"
"Beijar essa sua boca, alisar seu cabelo, te olhar nos olhos, esse seu olhar me hipnotizando, esse seu jeito, seu tudo… Foi demais!"
"Te quero mais algumas noites."
"Que dia a gente se vê de novo?"

E o próximo capítulo eu já sei qual é…
"Hey, namora comigo?"
"Eu já sei a resposta. Mas você sabe que eu não tenho medo de ouvir um não."
"Claro que eu não estragaria nossa noite fazendo essa medíocre pergunta logo de início."
"É, acho que termina por aqui. Vou fugir sem você."
"Vou sentir saudade dessa sua boca, seu cabelo, seus olhos, desse seu olhar, desse seu jeito, seu tudo…"
"Eu ainda te quero… Todas as noites."
"Quem sabe a gente se vê."

4 de novembro de 2012

domingo, 12 de janeiro de 2014

"Deixa que esse verão eu faço só"



Basta ser humano para cometer equívocos, erros, enganos, desvios… Mas já me cansei de provar para mim mesma que eu sou forte para encarar essas coisas porque a verdade é que eu não sou tão forte assim. Nem sempre dá para se fechar e simplesmente ser indiferente à qualquer coisa que tente causar algum afeto. As vezes é tão difícil lidar com algumas decepções que só respirar fundo não é suficiente para acabar com a falta de ar… 
É incrível a nossa capacidade de se perder na estrada! São tantos descaminhos. Inventamos de pegar um atalho e parece que tudo se complica mais ainda. É como se fossemos passar por uma curva a 120 por hora, não é difícil saber que não se tem o controle de nada.
Ah… São tantos pensamentos gritando alto que na hora de se externalizar só saem confusões, incoerências, sentimentos cindidos.
Sempre soube que nada seria fácil, só não imaginava que seria uma sequência de lances errados, tortos. Acontecimentos que sempre fincam no cume do isolamento.

27 de dezembro de 2012

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Sobre um futuro conhecido


(Escrevi esse texto ouvindo baixinho Já é tarde - Tiê)

Será que quando ele chegar vai gostar da minha delicadeza ao fazer o carinho antes de dormir e do meu beijo de boa noite, mesmo quando em seguida ele sentir o peso da minha perna sobre o corpo dele? E será que ele vai se sentir feliz em me ver sorrindo, mesmo depois do susto de me ver acordar com o cabelo tudo bagunçado, desgrenhado?

Será que ele vai me dar um beijinho todas as vezes em que eu me queimar tentando cozinhar aquele prato que ele adora? Ele não precisa gostar de sorvete e nem de chocolate, mas será que vai se incomodar quando eu me lambuzar com essas coisas gostosas? Pode até ser que ele ria das bobagens que eu falo a qualquer hora e ria também da minha mania de acreditar em tudo que as pessoas dizem e ria das minhas crises de riso inevitáveis quando conto algumas histórias que aconteceram comigo.

É possível que ele fique bravo quando ouvir um grito por causa da barata no quarto, no banheiro ou em qualquer lugar da casa. Mas acho que ele vai adorar ouvir minhas declarações de amor inusitadas e as minhas mil e uma maneiras de dar bom dia. Será que ele vai me amar tanto que vai gostar até de me ouvir cantar, gostar de ler os meus textos, meus recados na geladeira e as mensagens no celular?

Será que ele vai se importar porque eu não pinto as unhas, nem sempre uso maquiagem e, as vezes, passo o dia sem pentear os cabelos? É possível que as vezes ele fique irritado por eu não parar de falar as minhas ideias malucas, mas pode ficar impressionado ao perceber que eu sei levar uma boa conversa. Será que ele vai gostar dos meus óculos, das minhas cores, dos meus sonhos? Eu sei que eu sou assim, meio ogra, bastante desengonçada, mas ele pode ter certeza de que eu sei fazer coisas que hummmmm… (E só ele vai saber desse meu lado fatal)!

O relógio dele só pode estar quebrado, não há outra explicação. Porque ele existe e tá por aí vagando, querendo me achar. Mas toda essa demora é quase cruel! Não vejo a hora de ele chegar pra eu saber logo como é o nome dele, o rosto dele e do que ele gosta, além de mim.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Não vou desistir de você


(Escrevi esse texto ouvindo I won't give up - Jason Mraz)

Não é por causa de um motivo tão bobo desses que eu vou deixar você escapar das minhas mãos, do meu colo, do meu mundo. Esse mundo que só se tornou suportável depois que você chegou e o virou de ponta a cabeça e o bagunçou completamente. É na sua bagunça que eu me acho. É só você que consegue compreender essa minha capacidade de ser tão desajeitada com tantas coisas, até quando eu quero dizer que eu te amo. E você sabe que, se as vezes eu titubeio pra falar, é porque o amor é tão grande que mal consegue sair com palavras. Então, nem pense em um dia supor que eu vou embora sem lutar por isso que me mantem viva. 

É absolutamente improvável que eu simplesmente entregue os pontos só por conta de uma risadinha irônica do destino me dizendo que eu não vou conseguir preservar o que é nosso. Eu já falei pra ele, já falei pra você que eu vou fazer uso de tudo que eu puder e do que eu não puder, porque o que eu não conseguiria mesmo é cuidar de mim sem você. É inimaginável que eu possa seguir em frente sem o seu impulso, sem o seu otimismo me dizendo que juntos a gente alcança o ponto mais alto do universo e até nossa felicidade. Mas olha, eu já alcancei a minha felicidade e não vou deixá-la se dissipar longe de mim. Então, não pense que eu vou desistir de você tão facilmente. 

Você deve tá achando que é muito desespero meu. E é. É desespero, é urgência. Eu quis tanto e agora que eu te encontrei nada vai me fazer mudar a minha ideia determinada de estar do seu lado até nas horas mais complicadas e nos momentos mais confusos, como esse em que você se encontra. Entenda, assim como seus sorrisos logo pela manhã me dão segurança de que eu superarei tudo que vier durante o dia, o meu amor é a garantia de que eu nunca, em nenhuma hipótese, vou desistir de nós. 

Não pressuponha, não cogite que um dia eu vá embora sem você ou que deixarei você ir sem antes ter derramado a última gota de sangue desse meu coração que pulsa veementemente e que só bate assim com força porque encontrou a razão pela qual pode existir. Então, não me peça que por um motivo desses eu desista do que me trouxe à vida porque eu não vou desistir de você. Não vou.