terça-feira, 19 de novembro de 2013

Suas malas já estão aqui...


(Escrevi esse texto ouvindo Fim de Caso - Dolores Duran)

...Por favor, não vamos matar o amor que nos resta com essa insistência patética. Ele nos fez tão bem, deu-nos momentos tão bonitos... É preferível deixá-lo ir à mantê-lo na tortura do nosso dia-a-dia.

É mais digno que encerremos agora essa caminhada, já que não há mais paisagens que nos forcem a coragem. Então, não vamos perder a chance do nosso último ato de bravura para fazermos isso por nós. Não sejamos tão covardes a ponto de não admitir que escutamos o prelúdio do fim.

A nobreza também mora no reconhecimento de que algo precisa acabar, para o bem. Sofrimento muito menor é o que vamos sentir ao atravessar o campo minado necessário para explorar um mundo novo, desconhecido e estranho. Continuar na monotonia de uma lâmina que dilacera devagar não é justo pra ninguém.

Eu não vou te guardar no fundo de um gaveta de papeis velhos e amarelados. E você, não me coloque num porão empoeirado pra desaparecer entre as ruínas. Nossa despedida não pode ser capaz de nos deixar tão a esmo. Merecemos lugares melhores.

Sejamos sábios para preservar o que de mais sereno fizemos por nós mesmos.

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