terça-feira, 5 de janeiro de 2016

"Um paradoxo do pretérito imperfeito com a teoria da relatividade!'"


(Minha trilha sonora - Destino incerto - Alma D'jem)

Estou contradição. Morrendo de vontade de encontrar alguém. Aquele alguém que me fará esquecer que um dia houveram outros alguéns. Que me provará que reciprocidade não é história da carochinha. Que vai jogar na minha cara que príncipes não existem, mas que um sapo pode ser encantador. Encantador não! Vou procurar outro adjetivo ou que seja esse alguém o próprio adjetivo. Estou excluindo dos meus dias qualquer palavra que contenha dor. Encantador, encanador, roedor..
Ah, vi a dor! Vi sim... e senti também. E ela não me deixou saudades, talvez porque ainda esteja aqui. Tão aqui que estou a falar dela sem parar, mudando o rumo da prosa.
A fatalidade é que, paradoxalmente, em paralelo a minha vontade de encontrar alguém, eu quero estar sozinha também. Acho que 'nunca antes na história desse país' eu quis tanto curtir a minha solitude, estar comigo mesma, superar meus medos, meus limites, tolerar-me como nunca, sair da minha zona de conforto. E que zona! Parece que ter completado 1/4 de século me deixou tão diferente, irreconhecível, que hoje sinto essa necessidade de me resgatar... Resgatar não, desvendar! É curioso como algumas roupas do meu armário que antes eu amava, hoje cabem no meu corpo, mas não cabem mais no meu estado. Meu estado agora é outro, acho que meu país também.
Junto com o anseio de ter alguém, eu tenho o desejo de tomar um café na companhia de mim mesma, ir ao cinema só comigo, dançar sozinha, viajar só nós dois, Deus e eu. Sei lá, tenho a impressão de que, nesse momento, não dá pra eu me apresentar de uma forma tão idônea para um outro ser porque estou tendo a grata surpresa de me deparar com um eu que não tenho tanta intimidade ainda.
Talvez eu seja sim uma contradição. Mas não por querer encontrar alguém e simultaneamente querer estar sozinha. Pode ser que eu queira ser encontrada. E pode ser, sobretudo, que, talvez, eu esteja enlouquecida para encontrar alguém muito especial, sem a qual não poderia viver e que tem o poder de me fazer esquecer todos os outros alguéns... Eu mesma.
Estou no auge dos meus 25 anos e aprendi a deixar partir o que precisa ir. Aceito a dor, só que hoje eu prefiro o mar... remar pro interior da minha imensidão, amar o que minha nova vida me traz, rimar minhas linhas com as curvas do vento, perfumar o mundo, inflamar de amor!

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