quinta-feira, 7 de março de 2024

22:22


Sei que minhas escolhas estão de acordo com uma vida tranquila, dias serenos e desentendimentos na medida típica de uma relação humana. É bom ter a paz na consciência de decisões conscientes, mesmo quando o coração se mantém um pouco resistente. Chega a ser incrível sentir a razão tomando seu lugar no mundo e freando as intempéries emocionais, sempre tão intensas, passageiras e, geralmente, inconsequentes. 

Mas uma coisa a razão não consegue alcançar com tanto êxito: aquele frio que começa na barriga, vai subindo, acelerando o coração e sai, uma parte em forma de sorrisos bobos e fáceis e outra em brilhos no olhar. Isso está fora da base de cálculos da racionalidade. Totalmente fora do controle da previsibilidade. 

Esses sorrisos são tão absolutamente indomáveis. Saem espontaneamente como o respirar, que se torna um suspiro sonhador sempre que ele aparece. Tudo se torna um delicioso e desejável caos interno, gerando até aqueles comportamentos desajeitados de quem sente vergonha quando está perto de quem se gosta. Porém, como bem questionou Freud, será que queremos o que desejamos? 

É bom sentir a adrenalina nas veias depois de tanto tempo de amenidades. A vivacidade do pulsar do coração no corpo e na alma. O sangue irrigando e esquentando cantos adormecidos. Sei que nossos olhos se encontram e, no fundo, ainda que ainda não saibamos ao certo, ambos queríamos que fosse mais que um encontro no olhar. Quem sabem em outro tempo possamos ter outros encontros com direito a dança com as mãos e descobertas de bocas e abraços. Quem sabe em outro tempo. Talvez em outra vida. Quem sabe, talvez... 

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