quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Como uma onda no mar


O mar daqui transborda sob a areia, apagando as pegadas impressas no solo das ideias, idealizações e previsões ingênuas da uma ilha chamada eu. 

O eu que sente o sal na boca e o amargor das perdas. O peso da culpa, o medo das pedras, a raiva da alegria.  

E nessa deriva, que o mar transpasse o eu e o transcenda em onda e som. Som que faz gritar o silêncio e sussurra o real em cantos angelicais entre os traumatismos existenciais. 

Que o eu adentre o profundo das águas e ali repouse, calmo, sólido, só. 

Que o mar acolha e o eu se entregue. 

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