Há exatamente 1 ano eu entrava no centro cirúrgico para a retirada do colo do útero e, junto, o câncer que havia se desenvolvido ali. Tudo estaria resolvido! Mas vida é vida, né?! O tudo mudou em poucos instantes e o planejado tomou outro rumo (embora soubéssemos da pequena, mas real possibilidade de que acontecesse assim). Durante o procedimento se viu o que os exames não mostraram: não adiantaria retirar o colo porque a radio e a quimio seriam necessárias de qualquer jeito (e com tudo isso o tumor sumiria). Procedimento abortado e como medida profilática, sábia e inteligente da minha médica, foram retirados os meus ovários (ela me explicou tudo direitinho e sou muitíssimo grata a ela por cada decisão que tomou). E nesse dia tanta coisa mudou! Tanta coisa!
Há 1 ano estou na menopausa. E não, menopausa não é coisa de mulher "velha"! Existem muitas mulheres que vivem a menopausa precoce e com acompanhamento ginecológico, atividade física, boa alimentação, é possível viver muito bem, mesmo para as que entraram na menopausa naturalmente com a chegada dos anos. Hoje faço uma reposição hormonal super tranquila e leve, e levo uma vida plena nesse sentido. Sou muito sortuda e abençoada por não sentir as "ondas de calor" e nenhuma dor de cabeça relacionada a isso. Claro que existem vários outras questõezinhas e cuido bem de perto de cada uma delas.
Há 1 ano não menstruo mais. Isso é curioso porque, apesar de nunca ter sido a maior fã do período menstrual, era algo que me acompanhava todos os meses há 20 anos. Durante uns 5 meses eu fiquei contando por quanto tempo não menstruava mais. "Faz 1 mês que não menstruo." "Hoje faz 46 dias que não menstruo mais". Claramente a vivência de um luto que terminou quando respirei fundo e falei firme comigo mesma, "chegou a hora de parar de contar!"
Há 1 ano vivo a ressignificação da maternidade. Eu ainda não sou mãe e mesmo sabendo que ser mãe vai muito além de gerar uma criança, os sentimentos e as sensações explodiram (e, vez ou outra, ainda explodem) dentro de mim. Aquele bichinho que aperta o coração, às vezes aparece quando alguma pessoa próxima e querida anuncia a gravidez, não por inveja ou não por me sentir feliz pela pessoa, mas pelo fato de saber que eu nunca passarei por esse processo da gestação biológica e era algo que eu desejava. É outro luto! E tudo bem sentir assim! Por outro lado, tem se tornado cada vez mais clara a grande diferença entre ser mãe e gestar (no útero). Quando eu decidir ser mãe e gestar (no coração), só quero ter a sabedoria para educar e dar todo amor que tenho. Nas minhas orações já peço que Deus proteja os meus filhos (que virão pela adoção e talvez ainda nem tenham nascido, ou sim!) e a progenitora deles. Eu sou um ser humano incrível por pensar em adoção? Não! Aliás, uma das minhas missões de vida agora é propagar que adoção é somente mais uma forma de exercer a parentalidade e precisamos naturalizar isso.
Ser mulher, ser mãe, ser profissional...
Quanta coisa mudou no dia 7 de outubro de 2020.
Mas apesar de todas as lutas, lutos, choros e dores que tive ao longo desse ano... Sobressai a felicidade extrema de ter sido curada e de continuar sendo eu, na essência!
A minha gratidão ainda consegue ser infinitamente maior que o bichinho que, às vezes, aperta o coração.
(Ah! Um agradecimento especial a minha psicóloga, Gabriella, que me ajuda a passar por todos esses lutos de uma maneira muito mais leve).

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