quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

(a)temporalidade


Foi dia desses e já faz dez anos. 

O tempo passou ligeiro como um raio, imponente, às vezes assustador, mas sempre efêmero. 

A vida rolou olhos à fora, frente aos clarões do tempo. Olhos à dentro, passo. Passo sem movimento, congelada na última cena. Quando num adeus você se tornou senhor de todas as horas e num só comando mudou a cadência dos sentidos. Agora cada lampejo de tempo dura o suficiente pra me manter em estado de choque, paralisada enquanto tudo vai. E tudo se esvai rapidamente nos séculos de segundos da sua ausência. 

Sucumbi ao tempo enquanto minha agonia sobrevive. Dissolvi. Hoje sou toda ela - a agonia -, um soluço permanente. Parece que vai passar, mas volta, insiste, exige outro susto ou intensidade que faça o ar voltar à rota. É como o tempo ligeiro e demorado. 

Enquanto o tempo não para, eu passo.

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