sábado, 10 de junho de 2017
A menina
(Yasmin - Meu jeito de agir)
Ela não conseguia dizer o que sentia. Provavelmente porque nem ela mesma sabia. Mantinha por fora uma fortaleza na tentativa de preservar a imensa vulnerabilidade que a ameaçava aniquilar. Mal podiam supor os outros que a base daquele muro todo era frágil e com qualquer sopro poderia desmoronar, relevando a instabilidade da menina. O terror de parecer fraca roubava-lhe as forças.
Tão sutis eram suas lágrimas que faziam apenas brilhar seus olhos. Tão torrenciais eram que afogavam seu interior. Quantos gritos ecoaram no silêncio daquela menina encolhida no canto da parede do quarto. Quantas oportunidades ofereceu para que alguém ouvisse suas palavras que, ainda que caóticas, tentavam desesperadamente organizar sua história.
Tantos eram os pontos de interrogação que teimavam em pairar no coração da menina. Ela procurava as respostas no mundo, nos outros, nela mesma, quem sabe. Mas como poderia achar nela mesma se nunca havia se encontrado?
Indefesa aquela menina. Consumia-se com o medo de ser destruída com seus próprios sentimentos. Fortes, confusos. Gigantesca a alma dessa menina. Cabia tanta coisa que ela não sabia o que faltava, nada era tão grande que pudesse completá-la. E se sentia tão pequena, deslocada em meio a tanta gente. Sozinha entre as pessoas e absurdamente atordoada com todos os próprios eus que a acompanhavam na solidão.
Insegura. Vivia a aflição de não saber o que a poderia salvar de si.
Um dia a menina desabou, descontrolou-se, diluiu-se intensa e amarga como o café que tomava todas as tarde. Encarou a desordem e sorriu para o emaranhado da bagunça interna que ela mesma criara. Parou de tentar fugir da confusão e passou a fazer algazarra com cada detalhe, por mais estranho que fosse ele.
Boba a menina!
Descobriu que só precisava se entregar à loucura para enxergar com lucidez.
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