E apareceu o câncer. Assustador. Uma parada obrigatória do fluxo de energia voltado para o externo, para focalizar totalmente aqui.. aqui dentro. Ficar distante da minha vida, me fez pensar em como quero viver. Dar uma longa pausa no trabalho me ajudou a compreender a necessidade de pensar numa forma de trabalhar menos e de forma mais eficiente. Estar com uma doença grave estando tão nova, amadureceu minha alma em mais 30 anos. Minha tolerância para arrastar incômodos está menor ainda. Não tenho disposição para entrar em discussões sem fundamento e a boca se abre mais facilmente para dar vazão a o que quer que seja, que faça ou não sentido. Hoje o meu corpo também parece velho, músculos e ossos cansados, voltando à forma pouco a pouco. Não me reconheço em meus braços, pernas, rosto e sobretudo na minha barriga, mas estou em processo de recuperação. Parei de reclamar da vida e encontrei como missão tornar todos os meus surtos menos frequentes e sempre justificáveis.
Alcançar a cura do câncer e estar sobrevivendo nessa pandemia, me deu uma saudade tão grande de mim. Nesse ano novo, que comecei com tanta vontade e intensidade, só quero arrumar minha bagagem com os aprendizados que conquistei e pegar o trem de volta pro meu interior. Curtir minha nova configuração, resgatar meus detalhes, meus cheiros, minhas letras. (Ins)Pirar parar retornar a minha sanidade.

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