sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
(Des)encontro das águas
(Encontro das Águas - Jorge Vercillo)
A gente se encontrou…
A gente brincou, sorriu, experimentou, alucinou. A gente gozou a vida no melhor que ela pode dar em alguns ligeiros momentos. A gente disse sem preocupação pra deixar fluir que o rio encontra seu caminho naturalmente!
Eu deixei fluir. Nosso rio me levou pra um mar imenso e cristalino. E eu flutuei nas brandas ondas, desbravando o alto mar e descobrindo mistérios. E nesses instantes de levitação na paz, mal pude perceber a linha tênue na qual me equilibrava. Ao poucos senti o sabor ostensivo do sal agredindo meu paladar e as ondas hostis que rapidamente me retiraram do estado transcendente, como um prelúdio para o redemoinho de sentimentos ameaçadores.
Retornei ao nosso rio para saber do caminho.
Me deparei com seus olhos sonhadores querendo se “casar domingo, na praia, no sol, no mar ou num navio a navegar”. Almejando, assim como eu, desvendar mistérios de alguém que te deixou paralisado.
Isso! É isso mesmo que eu tenho sentido por você, mas tinha medo de reconhecer.
Então, abruptamente percebi que diante do nosso rio haviam dois caminhos.
Você está apaixonado… e não é por mim.
Deixamos fluir!
Você desaguou em outro mar e eu corri pelo outro lado. Por um caminho em que, o que foi um dia nosso rio, secou sem deixar rastros e nenhuma nascente.
A gente se desencontrou, enfim.
5 de dezembro de 2012
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