Ela costuma pisar nos vários homens que vivem se arrastando, agarrando-lhe as pernas. Ela adora aquela sensação jubilosa de dizer “talvez”, porque um “não” é definitivo demais e ela se deleita em plantar dúvidas nos pobres rapazes. Ela se sente poderosa ao ver o celular chamando desesperado com tantas mensagens sem retorno. Ela dá um sorrisinho satisfeito quando sabe que eles virão o aviso de “mensagem visualizada” no Facebook, assim terão certeza de que ela faz questão de deixá-los esperando. Ela não abre mão da ambivalência, ora os trata com carinho, ora como capachos porque sabe que é assim mesmo que eles ficam mais apaixonados.
Mas tem outra coisa que ela sabe muito bem…
Ela sabe que é apenas mais uma das mulheres que se arrastam por um certo homem e que tenta, derrotada, agarrar-lhe as pernas. E sabe que todos os dias ela sofre sem conseguir ao menos um não e se afoga nos incertos “talvez” que ele a lança. E sabe que grita em palavras, enchendo a caixa de mensagens do celular dele, suplicando por uma meia atenção. E também sabe que ele simplesmente não está afim de gastar energia para responder as inúmeras mensagens visualizadas no Facebook. Ela sabe o jogo dele de tratá-la ora com amor, ora com desprezo e tem consciência de que, por mais que tente se livrar, acaba se emaranhando mais.
E é judiando dos moços que ela tenta, sem sucesso, esquecer as chicotadas e marcas a ferro e fogo que ele deixa nela dia após dia.
É essa mulher naugrafada que está por trás daquele mar impetuoso.

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